Moody’s rebaixa BRB para CCC+ e vê risco de calote.

Moody’s rebaixa BRB para CCC+ e vê risco de calote.

A Moody’s Local Brasil cortou a nota de crédito do Banco de Brasília (BRB) de BBB-.br para CCC+.br na terça-feira, 1º de abril, classificando a instituição em um patamar de alto risco de inadimplência. Os ratings permanecem em revisão para rebaixamento, sinalizando que novos cortes não estão descartados.

Atraso no balanço e incertezas sobre perdas bilionárias

A decisão da agência reflete dois fatores centrais: a provável necessidade de uma injeção de capital relevante e o atraso na divulgação das demonstrações financeiras de 2025. O BRB não apresentou os resultados dentro do prazo regulatório, encerrado em 31 de março, e não informou nova data para a publicação.

Em comunicado ao mercado, o banco atribuiu o adiamento à necessidade de concluir a auditoria forense ligada à Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga irregularidades em carteiras de crédito adquiridas do Banco Master. As investigações apontam que o BRB adquiriu mais de R$ 12 bilhões em créditos considerados irregulares ou sem lastro consistente. Segundo a Agência Brasil, o prejuízo estimado pode alcançar entre R$ 8 bilhões e R$ 13 bilhões, de acordo com auditoria independente.

A Moody’s avalia que o banco precisará de pelo menos R$ 6,6 bilhões para recompor o patrimônio e manter a solvência, já que opera com índices de capital próximos ao mínimo regulatório desde 2022. “Em razão do aumento do provisionamento e reconhecimento de perdas nos ativos, o banco deve necessitar de aportes de capital adicionais para manter sua solvência”, afirmou a agência.

Pressão regulatória e risco de intervenção

O descumprimento do prazo para divulgação do balanço expõe o BRB a sanções da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central, incluindo multas diárias. Se a infração ultrapassar 12 meses, o registro de companhia aberta pode ser suspenso, o que impediria a negociação de suas ações na bolsa.

Agências em debandada

O rebaixamento pela Moody’s Local se soma a uma série de ações de outras agências de classificação de risco. Em novembro de 2025, a Moody’s Ratings global já havia cortado o rating do BRB de B1 para B3, retirando todas as classificações em dezembro. No mesmo mês, a Fitch rebaixou o banco para CCC, citando “graves deficiências nas práticas de supervisão e gestão de riscos”. A S&P também rebaixou e, posteriormente, retirou os ratings do BRB a pedido da própria instituição.

A Moody’s indicou que uma elevação das notas é improvável no momento, mas que os ratings podem ser confirmados caso o banco demonstre “capacidade de execução de um plano de recomposição de capital” e as investigações não revelem indícios adicionais de falhas.

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