Celina Leão afasta servidores do BRB ligados à compra de ativos do Master.

Celina Leão afasta servidores do BRB ligados à compra de ativos do Master.

O Banco de Brasília (BRB) enfrenta uma crise sem precedentes após investigações apontarem que a instituição adquiriu carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master no valor estimado de R$ 12 bilhões, em operações que envolveram ativos sem lastro e que teriam sido aprovadas mesmo com sinais claros de irregularidade. Na quarta-feira (1º de abril), a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), determinou o afastamento de servidores e comissionados do BRB que participaram da aprovação das aquisições.

Ativos sem lastro e fraude bilionária

Segundo investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, o BRB comprou cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito que não pertenciam ao Banco Master e não tinham garantias financeiras. Parte dessas carteiras veio da Tirreno, empresa que vendeu créditos consignados ao Master por R$ 6,3 bilhões — repassados ao BRB por R$ 11,5 bilhões, conforme revelou o G1. Em um dos episódios mais emblemáticos, o Master comprou R$ 143,6 milhões em ativos da Tirreno na terça-feira de Carnaval e os repassou ao BRB no dia seguinte por R$ 251,2 milhões.

Um documento interno do BRB, revelado esta semana, mostra que a equipe técnica do banco já tinha conhecimento de que parte das carteiras de consignado oferecidas pelo Master carecia de lastro antes da conclusão das operações. O relatório registra que o Master informou ao BRB que “existem operações cedidas que foram adquiridas por uma ‘Associação’, e que tais contratos não são passíveis de verificação”. Mesmo assim, as aquisições prosseguiram.

Afastamentos e pressão sobre o banco

A auditoria independente conduzida pelo escritório Machado Meyer e pela consultoria Kroll identificou o envolvimento de ao menos dez funcionários em cargos de chefia nas negociações irregulares, segundo a CNN Brasil. A suspeita é de que esses servidores tenham pressionado pela compra de ativos problemáticos mesmo sabendo que se tratava de carteiras fraudulentas. A governadora Celina Leão afirmou que a decisão visa “garantir transparência nas apurações” e que outros nomes poderão ser afastados à medida que o relatório final da auditoria for divulgado.

Crise se aprofunda

O Banco Central rejeitou a tentativa de compra do Master pelo BRB em setembro de 2025, após identificar riscos elevados nos ativos da instituição. Dois meses depois, decretou a liquidação extrajudicial do Master, quando o banco de Daniel Vorcaro possuía apenas R$ 4 milhões em caixa. Em janeiro de 2026, o BC determinou que o BRB provisionasse R$ 2,6 bilhões para cobrir as perdas.

O BRB não divulgou o balanço de 2025 dentro do prazo legal, encerrado em 31 de março, e pediu ao Banco Central prorrogação até junho. Segundo a Bloomberg Línea, o governo federal só consideraria um resgate caso identifique risco sistêmico, e exigiria contrapartidas do Distrito Federal. Um relatório do Tribunal de Contas da União apontou que a governança do BRB “ignorou indícios claros de irregularidades” na compra das carteiras, gerando prejuízo estimado em R$ 5 bilhões.

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