Lula quer incluir devedores do Fies em novo pacote de renegociação de dívidas.

Lula quer incluir devedores do Fies em novo pacote de renegociação de dívidas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (10) que o governo pretende incluir estudantes inadimplentes do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) no programa federal de renegociação de dívidas que está sendo elaborado pelo Ministério da Fazenda. A declaração foi feita durante a inauguração de um campus do Instituto Federal de São Paulo em Sorocaba (SP), financiado com recursos do Novo PAC.

“Estamos com um problema porque está aumentando o endividamento dos meninos do Fies. Vamos ter que colocar eles também na nossa negociação de endividamento, porque não dá para tirar o sonho de um jovem que está devendo o seu curso universitário”, disse o presidente, sem detalhar prazos ou condições.

Dívida bilionária em atraso

Segundo o Poder360, a dívida dos estudantes do FIES com atraso superior a 90 dias alcançou R$ 17,9 bilhões em 2025, um aumento de mais de R$ 2 bilhões em relação ao ano anterior e o maior valor desde a criação do programa. Já existe uma janela de renegociação aberta desde novembro de 2025 para contratos firmados a partir de 2018, com prazo até dezembro de 2026 e condições como parcelamento em até 180 vezes e perdão de 100% dos juros e multas, conforme a Agência Brasil. Essa medida, porém, alcança cerca de 160 mil estudantes e não abrange contratos mais antigos.

A fala de Lula sinaliza a intenção de ampliar o alcance da renegociação, possivelmente inserindo os devedores do FIES no pacote mais amplo contra o endividamento que o governo vem preparando.

Pacote contra endividamento em fase final

O novo programa de renegociação de dívidas, em discussão entre Lula e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, prevê descontos que podem chegar a 80% sobre o valor total das dívidas, abrangendo débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. A CNN Brasil reportou que a proposta também incluiria MEIs e pequenas empresas, com mecanismos para evitar que beneficiários voltem a se endividar.

Com o endividamento das famílias brasileiras em patamares recordes, o tema ganhou centralidade política às vésperas da corrida eleitoral de 2026. Segundo o G1, metade dos brasileiros está inadimplente, e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, defendeu o uso de recursos do FGTS para quitar dívidas — medida que poderia beneficiar cerca de 10 milhões de pessoas com acesso a R$ 7 bilhões.

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