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Brasil registra maior perda de empregos desde a COVID com enfraquecimento da economia.

Brasil registrou sua maior perda mensal de empregos desde a pandemia de COVID-19 e viu as taxas de inadimplência de empréstimos subirem para máximas de vários anos, segundo dados divulgados na quinta-feira, evidenciando uma desaceleração cada vez mais profunda na maior economia da América Latina.

O país eliminou 618.164 empregos formais em dezembro de 2025, superando em muito qualquer estimativa em uma pesquisa da Bloomberg com analistas, mostraram dados do governo. A escala de destruição de empregos não era vista desde o auge da pandemia em 2020, quando mais de 11 milhões de empregos foram perdidos.

Reversão no Mercado de Trabalho

O declínio dramático contrasta fortemente com o desempenho recente do mercado de trabalho brasileiro. Apenas no mês passado, estatísticas mostraram que a taxa de desemprego havia caído para um recorde de 5,2% em novembro de 2025, com a população desempregada caindo para 5,6 milhões de pessoas—o menor número desde que o governo começou a acompanhar em 2012.

No início de 2025, o Brasil havia criado 1,5 milhão de empregos formais entre janeiro e agosto, elevando o número total de vagas de emprego formal para um recorde de 48,69 milhões. O setor de serviços vinha impulsionando o crescimento, com a indústria e a construção também registrando ganhos ao longo do ano.

O banco central reconheceu a mudança no cenário. Em comunicado divulgado após sua reunião de política monetária de 28 de janeiro, autoridades observaram que os indicadores econômicos “continuam mostrando, como esperado, uma trajetória de moderação no crescimento econômico, enquanto o mercado de trabalho ainda apresenta sinais de resiliência”. Essa avaliação agora parece cada vez mais desalinhada com os números de emprego de dezembro.

​Surgem Tensões no Crédito

Aumentando as preocupações, as taxas de inadimplência em empréstimos para consumidores e empresas subiram para 5,4%, ante 5,3% no mês anterior, de acordo com dados do banco central. O crédito total cresceu apenas 1,8% na comparação mensal em dezembro, atingindo 7,1 trilhões de reais (US$ 1,37 trilhão), refletindo o impacto de custos de empréstimos persistentemente elevados.

Os bancos brasileiros esperam que a expansão do crédito desacelere ainda mais, projetando crescimento de 8,2% em 2026, ante estimativa de 9,2% em 2025. A inadimplência deve subir para 5,2% em 2026, já que o estresse dos tomadores permanece elevado apesar do afrouxamento monetário previsto.

Resposta de Política Monetária à Vista

O banco central manteve sua taxa de referência Selic em 15% — o nível mais alto em quase duas décadas — em sua reunião de quarta-feira, mas sinalizou que pode começar a cortar as taxas em março. Os formuladores de política monetária mantiveram sua projeção de inflação de 3,2% até o terceiro trimestre de 2027, ao mesmo tempo em que reconheceram que as medidas de preços gerais e subjacentes, embora em melhora, permanecem acima da meta.

Analistas consultados pela Reuters antecipam que a redução inicial das taxas pode ficar entre 25 e 50 pontos-base, marcando o primeiro corte desde maio de 2024. O afrouxamento esperado ocorre enquanto o crescimento do PIB está projetado para moderar para 1,8% tanto em 2026 quanto em 2027, de acordo com a pesquisa Focus semanal do banco central.

“As altas taxas de juros estão corroendo os balanços corporativos”, disse Andre Perfeito, economista-chefe da Garantia Capital, à Dow Jones Newswires. A combinação de dados de emprego enfraquecidos e tensões de crédito persistentes sugere que o banco central enfrenta pressão crescente para proporcionar alívio a uma economia que mostra claros sinais de fadiga.

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