Conselho de Paz de Trump recebe fração dos US$ 17 bilhões prometidos para Gaza.

Conselho de Paz de Trump recebe fração dos US$ 17 bilhões prometidos para Gaza.

O Conselho de Paz de Donald Trump recebeu menos de US$ 1 bilhão dos US$ 17 bilhões prometidos para a reconstrução de Gaza, de acordo com fontes com conhecimento direto das operações do conselho, deixando o presidente americano sem condições de avançar seus planos para o território palestino devastado pela guerra.

Um Fosso Crescente Entre Promessas e Realidade

Quando Trump convocou a reunião inaugural do Conselho da Paz em Washington no dia 19 de fevereiro, o evento foi apresentado como um ponto de virada para Gaza. Nove países — Cazaquistão, Azerbaijão, Emirados Árabes Unidos, Marrocos, Bahrein, Catar, Arábia Saudita, Uzbequistão e Kuwait — prometeram juntos US$ 7 bilhões, enquanto os Estados Unidos se comprometeram com outros US$ 10 bilhões. Cinco nações também prometeram enviar tropas para uma força internacional de estabilização.

Menos de dois meses depois, o cenário é bem diferente. Dos dez países que fizeram promessas, apenas três — os EAU, Marrocos e os próprios EUA — chegaram a contribuir com algum recurso, disseram fontes à Reuters. O enviado do conselho, Nickolay Mladenov, informou a grupos palestinos que “não há dinheiro disponível no momento”, segundo um funcionário.

A Guerra contra o Irã Agrava a Crise

A situação foi agravada pela eclosão do conflito entre EUA e Israel contra o Irã, no final de fevereiro, que desviou a atenção internacional e a vontade política de Gaza. “A guerra contra o Irã afetou tudo”, disse uma fonte com conhecimento das operações do conselho, descrevendo como o conflito intensificou a relutância já existente entre os doadores. O Irish Times noticiou em março que a guerra havia efetivamente congelado a reconstrução de Gaza, com o comitê palestino de tecnocratas incapaz de se mobilizar plenamente e sem nenhum sinal da prometida força internacional de estabilização.

Mesmo antes do conflito com o Irã, os ricos Estados árabes do Golfo já demonstravam relutância em comprometer recursos sem garantias mais amplas sobre o desarmamento do Hamas, conforme relatou a Reuters no início de fevereiro. As nações europeias, por sua vez, permaneceram à margem — França, Alemanha, Reino Unido e vários outros aliados ocidentais recusaram os convites para integrar o Conselho da Paz.

A Dimensão do Desafio

O déficit de financiamento vai muito além dos US$ 17 bilhões em compromissos. Uma avaliação conjunta da Organização das Nações Unidas, da União Europeia e do Banco Mundial estima que a reconstrução de Gaza custará cerca de US$ 70 bilhões, com aproximadamente US$ 20 bilhões necessários apenas nos primeiros três anos. O Hamas, que ainda controla efetivamente o território, afirmou estar disposto a transferir a governança para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza, um órgão apoiado pelos Estados Unidos e composto por tecnocratas palestinos liderados por Ali Shaath. No entanto, o plano de desarmamento de oito meses proposto por Mladenov — que Israel considera um pré-requisito para a reconstrução — ainda não começou de fato.

“Os países querem garantias de que o financiamento será destinado à reconstrução em áreas desmilitarizadas, em vez de ser desperdiçado em mais uma zona de conflito”, disse uma fonte à Reuters no início deste ano.

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