Físico brasileiro cria rota que encurta viagem a Marte para sete meses.

Físico brasileiro cria rota que encurta viagem a Marte para sete meses.

Um professor universitário de Campos dos Goytacazes, no interior do Rio de Janeiro, desenvolveu uma rota de ida e volta a Marte que pode reduzir o tempo de viagem de até três anos para apenas sete meses. A descoberta do físico Marcelo de Oliveira Souza, pesquisador da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), foi revelada pela CNN Brasil e já teve o estudo aceito para publicação na revista Acta Astronautica, vinculada à Academia Internacional de Astronáutica.

Corredores geométricos no espaço

A pesquisa teve início em 2015, quando Souza estudava asteroides com órbitas próximas às da Terra e de Marte. Ao mapear essas trajetórias, ele identificou o que chamou de “corredores geométricos” — caminhos onde a mecânica orbital favorece deslocamentos mais eficientes entre os dois planetas. Em vez de seguir a rota de transferência tradicional, que depende de janelas orbitais específicas, o método usa a geometria das órbitas de asteroides, em particular do asteroide 2001 CA21, como referência para traçar trajetos mais curtos.

Com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial, Souza conseguiu verificar e acelerar cálculos que antes levavam meses. Os resultados apontam dois cenários para uma missão de ida e volta: um extremo, de 153 dias — pouco mais de cinco meses —, e outro considerado mais viável com a tecnologia atual, de 226 dias, cerca de sete meses e meio.

Tecnologia atual, sem motores experimentais

Uma das janelas de lançamento mais promissoras para aplicar a nova rota está prevista para 2031, quando o posicionamento de Marte será favorável. “Eu consegui um resultado muito bom que permite uma viagem para Marte em um tempo bem menor com tecnologia que a gente tem hoje”, disse Souza em entrevista à CNN Brasil.

A proposta não depende de propulsão nuclear ou motores de plasma ainda em desenvolvimento — utiliza apenas mecânica orbital otimizada com recursos já disponíveis. Além da economia de tempo, a rota mais curta reduziria a exposição dos astronautas à radiação cósmica e a quantidade de suprimentos necessários para a tripulação.

O cientista por trás da descoberta

Souza não trabalha em nenhuma agência espacial. Doutor em física, ele conduziu a pesquisa a partir da UENF, uma universidade pública no norte fluminense, ao longo de uma década de simulações computacionais. O estudo, intitulado “Utilizando dados orbitais iniciais de asteroides para missões rápidas a Marte”, representa o que especialistas em mecânica celeste consideram uma contribuição para o planejamento de futuras missões interplanetárias.

#marte

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