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Israel usou as próprias câmeras de rua do Irã para rastrear e matar Khamenei.

Israel explorou a vasta rede de câmeras de rua de Teerã — hackeadas anos antes — para rastrear o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, e confirmar sua localização antes do ataque aéreo de 28 de fevereiro que o matou, de acordo com uma investigação da Associated Press publicada na segunda-feira com base em entrevistas com autoridades de inteligência familiarizadas com a operação.

A revelação ressalta como a infraestrutura de vigilância construída por governos autoritários para monitorar dissidência pode ser transformada em uma arma contra eles mesmos.

Uma Cidade Sob Vigilância — Pelo Seu Inimigo

Por anos, praticamente todas as câmeras de tráfego em Teerã haviam sido comprometidas, com transmissões criptografadas enviadas para servidores em Israel, segundo duas pessoas familiarizadas com a operação disseram à AP. Pelo menos uma câmera fornecia um ângulo que permitia à inteligência israelense monitorar quem estacionava perto do complexo da liderança iraniana na Rua Pasteur, onde Khamenei foi finalmente atingido.

Algoritmos desenvolvidos pela Unidade 8200 de inteligência de sinais das Forças de Defesa de Israel vasculharam as imagens, construindo dossiês sobre os endereços, rotas de deslocamento e detalhes de segurança dos principais oficiais iranianos, de acordo com as fontes da AP. “Conhecíamos Teerã como conhecemos Jerusalém”, disse um oficial de inteligência israelense ao Financial Times, que foi o primeiro a reportar a operação das câmeras.

O ataque havia sido planejado por meses, mas foi acelerado assim que a inteligência confirmou que Khamenei e oficiais seniores se reuniriam no complexo naquela manhã. A CIA, que estava rastreando os movimentos de Khamenei e tinha uma fonte humana fornecendo inteligência crucial, passou a informação para Israel, e ambos os países decidiram lançar o ataque à luz do dia. Israel também interrompeu o serviço celular próximo ao complexo para impedir que os guarda-costas de Khamenei recebessem alertas.

Alertas Ignorados

Que as câmeras de Teerã estavam comprometidas não era segredo. Hackers violaram pela primeira vez a rede de vigilância da cidade em 2021, e em 2022 um grupo de exilados alegou ter acessado mais de 5.000 câmeras, divulgando gigabytes de imagens. No ano passado, Mahmoud Nabavian, vice-presidente do comitê de segurança nacional do parlamento iraniano, alertou publicamente: “Todas as câmeras em nossos cruzamentos estão nas mãos de Israel. Tudo na internet está em suas mãos… se nos movermos, eles descobrirão”.

O Irã havia instalado dezenas de milhares de câmeras em sua capital em resposta a sucessivas ondas de protestos, usando reconhecimento facial para impor as leis de hijab obrigatório, entre outros propósitos de vigilância. Mas a dependência do país em hardware desatualizado, eletrônicos fabricados na China e software pirata deixou os sistemas profundamente vulneráveis.

Uma Nova Era de Guerra de Vigilância

A operação gerou alarme em toda a região. Países do Golfo começaram a reavaliar suas próprias redes de câmeras, e a Diretoria Nacional de Cibersegurança de Israel alertou centenas de proprietários israelenses de câmeras para atualizarem suas senhas após hackers iranianos lançarem operações de varredura retaliatórias visando câmeras em Israel e no Golfo.

“A infraestrutura que estados autoritários constroem para tornar seu domínio inabalável pode ser justamente o que torna seus líderes mais visíveis para aqueles que tentam matá-los”, disse Conor Healy, diretor de pesquisa da publicação de vigilância IPVM. “Você confia em quem está observando?”

#Khamenei #Israel #irã

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