Pedidos de pesquisa mineral disparam 81% no Brasil com corrida por minerais críticos.

A busca global por minerais considerados estratégicos para a transição energética provocou um avanço nos pedidos de pesquisa mineral no Brasil. Segundo relatório da Agência Nacional de Mineração (ANM) concluído em fevereiro, os requisitos de pesquisa mineral saltaram 81% entre o primeiro e o quarto trimestre de 2025, passando de 1.637 para 2.960 seguros no período. No acumulado do ano, foram registrados 9.319 pedidos junto à agência.
O aumento reflete a corrida internacional por minerais como lítio, terras raras, níquel, cobalto e grafita — insumos essenciais na fabricação de baterias para veículos elétricos, turbinas eólicas e semicondutores. De acordo com o documento, “a entrega do mercado pela busca de minerais impactou o número de requisitos de pesquisa especialmente na segunda quinzena de novembro e dezembro de 2025 sem que haja tempo hábil para análise imediata”.
O potencial geológico brasileiro
Dados da ANM mostram que o Brasil detém posição relevante em reservas minerais estratégicas: o país concentra 94,1% das reservas mundiais de nióbio, 22,4% de grafita, 16% de níquel e 9,1% de terras raras, além de ocupar a sétima posição global em lítio. Apesar do potencial, a participação brasileira na produção mundial desses minerais ainda é limitada — responde por apenas 0,002% da produção de lítio, 0,03% de terras raras, 3% de níquel e 2% de cobre.
A China controla cerca de 70% das reservas globais e aproximadamente 90% da capacidade de processamento dos minerais críticos, o que representa um gargalo para países que buscam diversificar suas cadeias de abastecimento.
Acordo com a Índia e a posição do governo
No sábado (21), o presidente Lula e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, revisaram em Nova Délhi um memorando de entendimento sobre cooperação em minerais críticos e terras raras — o primeiro do tipo firmado pelo Brasil. “Ampliar os investimentos e a cooperação em matéria de energias renováveis e minerais críticos não está certo do acordo pioneiro que assinamos hoje”, declarou Lula. Modi classificou o pacto como “um grande passo em direção a construir cadeias de fornecimento resilientes”.
Lula reforçou que o Brasil não aceitará ser apenas exportação de matéria-prima. “Não vamos permitir que nossas terras raras sejam exploradas como foi o minério de ferro durante tantos anos. A gente só cava buraco e manda o minério para fora para depois comprar produto fabricado”, afirmou o presidente ao comentar futuras negociações com os Estados Unidos.
Estrutura sob pressão
O crescimento acelerado dos pedidos expôs fragilidades estruturais da ANM. A análise das vinhas sendo feita com apoio de forças-tarefa em unidades regionais, que deixaram de operar ao longo de 2025 por restrições orçamentárias. Uma nova tarefa de força foi organizada em dezembro, quando o volume de pedidos já havia atingido o pico, mas não conseguiu dar vazão à demanda por alvarás. A agência criou em agosto de 2025 uma Divisão de Minerais Críticos e Estratégicos em seu regimento interno, embora o desafio operacional persista.
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