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TCU autoriza inspeção nos Correios por dívida bilionária.

O Tribunal de Contas da União (TCU) autorizou nesta quarta-feira (4) a realização de uma inspeção nos Correios para examinar supostas irregularidades na estatal, incluindo um contrato de confissão de dívida de R$ 7,6 bilhões com o fundo de pensão Postalis. A Corte de Contas determinou que a empresa apresente documentos e informações no prazo de 20 dias.

A decisão atende a uma solicitação da Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização, Controle e Defesa do Consumidor (CTFC) do Senado Federal, que pediu apuração de possíveis irregularidades administrativas, financeiras, operacionais e institucionais na gestão da estatal. Entre as alegações apresentadas pelos parlamentares estão suposta ocultação de passivos mediante manobras contábeis entre 2022 e 2023, além da suspensão da publicação das demonstrações financeiras de 2024.

Escopo da Fiscalização

O TCU solicitou aos Correios cópia do processo administrativo referente ao contrato de confissão de dívida firmado com o Postalis, destinado a cobrir o déficit do plano de benefícios do fundo de pensão. Os técnicos irão avaliar a motivação do contrato, as análises realizadas, a origem da dívida, o valor efetivamente contratado e os montantes já pagos.

A Corte também requer informações sobre eventuais ações da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) relacionadas ao contrato, bem como o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2020 entre Postalis, Correios e Previc.

​Crise Financeira e Contexto

Os Correios enfrentam uma grave crise financeira, com prejuízo acumulado de R$ 6 bilhões até setembro de 2025, quase o triplo do registrado no mesmo período do ano anterior. A estatal acumula mais de 13 trimestres consecutivos de prejuízo.

O contrato de confissão de dívida com o Postalis foi firmado em 2024 para cobrir metade do rombo de R$ 15 bilhões do plano de aposentadoria. Segundo o TAC, investimentos realizados entre 2011 e 2016 resultaram em prejuízo de R$ 4,7 bilhões que, corrigido, equivale a cerca de 60% do déficit total.

No fim de 2025, os Correios fecharam um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos — Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal — com garantia da União e vigência até 2040.

Próximos Passos

A investigação faz parte de uma fiscalização mais ampla solicitada pelo Senado, com base em denúncias de má gestão da estatal apresentadas pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF). O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou em dezembro de 2025 que a empresa precisará de mais R$ 8 bilhões em 2026.

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