Um número crescente de aliados da OTAN restringiu o acesso militar dos EUA ao seu espaço aéreo e bases, expondo a divisão mais profunda da aliança ocidental em décadas, enquanto o presidente Donald Trump intensifica seus ataques contra parceiros que se recusam a apoiar a guerra dos EUA e Israel contra o Irã.
Espanha, França e Itália tomaram medidas para limitar operações militares americanas em seu território ou em seus céus, provocando respostas furiosas da Casa Branca. Em entrevista ao The Daily Telegraph publicada na terça-feira, Trump disse que está “considerando seriamente” retirar os Estados Unidos da OTAN completamente, chamando a aliança de “tigre de papel” e declarando que a ideia está “além da reconsideração”.
Crescimento da Resistência Europeia
A Espanha tomou a ação mais abrangente na segunda-feira, fechando seu espaço aéreo para todos os voos militares dos EUA relacionados ao conflito com o Irã e negando acesso às bases de Rota e Morón, operadas conjuntamente, na Andaluzia. A ministra da Defesa, Margarita Robles, chamou a guerra de “profundamente ilegal e profundamente injusta.”
A França, segundo a Reuters, recusou-se a permitir que aeronaves israelenses transportando armas americanas transitassem por seu espaço aéreo durante o fim de semana — embora o Le Monde tenha relatado que Paris não impôs uma proibição generalizada, optando por revisar os pedidos de sobrevoo militar caso a caso. O ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, negou permissão para que bombardeiros dos EUA pousassem na base aérea de Sigonella, na Sicília, em 27 de março, depois que Washington não solicitou autorização prévia, conforme relatado inicialmente pelo Corriere della Sera.
O Reino Unido, embora permita que as forças americanas usem bases britânicas, insistiu que as operações sejam limitadas a propósitos defensivos e se recusou a participar de ataques ofensivos.
Trump e Rubio Contra-atacam
Trump respondeu na terça-feira com uma enxurrada de posts no Truth Social direcionados à França e ao Reino Unido. Ele acusou a França de ser “MUITO POUCO PRESTATIVA” e alertou os aliados de forma geral: “Os EUA não estarão mais lá para ajudá-los, assim como vocês não estiveram lá para nós”. Ele pediu às nações com escassez de combustível que “criem um pouco de coragem atrasada, vão ao Estreito de Hormuz e TOMEM O CONTROLE”.
O Secretário de Estado Marco Rubio intensificou a pressão em uma entrevista à Fox News, dizendo que Washington teria “que reexaminar o valor da OTAN e dessa aliança para nosso país” assim que o conflito terminasse. “Por que temos todas essas forças americanas estacionadas na região se na nossa hora de necessidade não vamos ter permissão para usar essas bases?”, questionou.
Aliança Sob Tensão
O confronto representa o teste mais sério à coesão da OTAN desde a fundação da aliança em 1949. Líderes europeus argumentaram que não foram consultados antes de EUA e Israel lançarem ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, e vários questionaram a legalidade da campanha. Grã-Bretanha e França estão trabalhando separadamente para reunir uma coalizão de até 35 nações para garantir a segurança do Estreito de Ormuz assim que os combates diminuírem. Trump, por sua vez, disse à CBS News que “a OTAN é terrível, e eles são todos terríveis” — deixando o futuro da aliança de 77 anos em aberto.
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