A colheita da safra de soja 2025/26 no Brasil alcançou 75% da área cultivada até o fim de março, um avanço em relação aos 68% registrados na semana anterior. O ritmo, porém, segue desigual pelo país: enquanto estados como Mato Grosso já superaram 89% da área colhida, o Rio Grande do Sul registrava apenas 10% de avanço, segundo a Emater. A disparidade expõe os efeitos da estiagem que castigou o Sul e impõe pressão sobre a cadeia logística nacional em um ano de produção recorde.

Safra recorde com perdas no Sul
As consultorias apontam números recordes para a oleaginosa. A StoneX estimou nesta quarta-feira, 1º de abril, a produção em 179,7 milhões de toneladas, alta de 1% em relação à projeção anterior, puxada por ganhos de produtividade no Centro-Oeste, Norte e Nordeste, segundo a Reuters. A AgRural, na semana passada, elevou sua estimativa para 178,4 milhões de toneladas.
O otimismo, contudo, não se aplica ao Rio Grande do Sul. A Emater revisou a estimativa de produção gaúcha para 19 milhões de toneladas, uma queda de 11,3% em relação à projeção inicial, reflexo direto da estiagem que atingiu diversas regiões do estado. Municípios como Manoel Viana chegaram a registrar perdas de até 60% nas áreas mais afetadas, com temperaturas que alcançaram 40ºC na região das Missões. Conforme reportou o G1, a cidade de Júlio de Castilhos decretou situação de emergência após laudos da Emater confirmarem redução média de 20% na safra local.
Gargalos logísticos e dependência rodoviária
O volume recorde de soja colhida simultaneamente em diversas regiões tem elevado os custos de transporte. Segundo a Argus Media, os fretes rodoviários no trecho Sorriso-Miritituba ficaram em média 12% acima dos níveis de 2024, enquanto na rota Rondonópolis-Santos o aumento foi de cerca de 6%. A exportação crescente de soja em fevereiro intensificou a pressão sobre os fretes no início de 2026.
A concentração no modal rodoviário permanece um dos principais gargalos. Reportagem do Globo Rural destacou o fortalecimento do Arco Norte como alternativa de escoamento, com portos acima do paralelo 16, mas os desafios de infraestrutura persistem. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais projeta exportações de 111,5 milhões de toneladas de soja em grão este ano, além de esmagamento recorde de 61 milhões de toneladas.
Investimentos em ferrovias como resposta
O setor ferroviário deve receber R$ 19,9 bilhões em investimentos ao longo de 2026, volume que pode ser o maior já registrado na história do país para o modal, de acordo com a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários. Os recursos serão direcionados à expansão de corredores estratégicos voltados ao escoamento de grãos, minérios e celulose, com o objetivo de reduzir a dependência das rodovias e os custos logísticos que, safra após safra, corroem a competitividade brasileira.
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