A Petrobras aprovou uma série de novos investimentos no domingo, autorizando a retomada de uma fábrica de fertilizantes paralisada há anos, avançando com um projeto de petróleo em águas profundas no Nordeste do Brasil e se comprometendo com o que descreveu como o maior esforço de monitoramento sísmico do mundo em um campo pré-sal estratégico.
Fábrica de Fertilizantes Retoma Operações Após uma Década
O conselho de administração aprovou a retomada da construção da unidade de fertilizantes nitrogenados UFN-III em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, projeto que estava paralisado desde 2015. A empresa estima que são necessários aproximadamente US$ 1 bilhão para concluir a planta, com previsão de início das operações comerciais para 2029. A retomada das obras está prevista para o primeiro semestre de 2026, com a assinatura dos contratos iminente.
Em plena capacidade, a UFN-III produziria cerca de 3.600 toneladas por dia de ureia e 2.200 toneladas por dia de amônia, atendendo a aproximadamente 15% da demanda brasileira por fertilizantes nitrogenados. O país atualmente importa praticamente toda a ureia que consome. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse à Exame que os contratos já foram assinados e que a capacidade de armazenamento de ureia está prevista para meados de 2027. O projeto deve gerar cerca de 8.000 empregos durante a fase de construção.
Projeto de Águas Profundas de Sergipe Supera Último Obstáculo
No mesmo dia, o conselho aprovou a decisão final de investimento para o módulo SEAP I do projeto de águas profundas Sergipe Águas Profundas, na Bacia Sergipe-Alagoas, concluindo o plano de desenvolvimento após a aprovação do SEAP II em dezembro de 2025. O investimento combinado nos dois módulos ultrapassa R$ 60 bilhões, com volumes recuperáveis esperados de mais de um bilhão de barris de óleo equivalente. As duas plataformas flutuantes de produção terão capacidade conjunta de 240 mil barris de petróleo por dia e processamento diário de 22 milhões de metros cúbicos de gás. O primeiro óleo do SEAP II está previsto para 2030, com início das exportações de gás em 2031.
A Petrobras afirmou que a viabilidade do projeto foi alcançada por meio de otimizações de engenharia e renegociação de contratos com fornecedores. O desenvolvimento estabeleceria a Bacia Sergipe-Alagoas como a primeira grande fronteira produtora do Brasil fora do pré-sal.
Monitoramento Sísmico Recorde no Campo de Mero
Separadamente, a Petrobras e seus parceiros no Consórcio Libra anunciaram um investimento de aproximadamente US$ 450 milhões em um projeto de monitoramento sísmico permanente no campo de Mero, na Bacia de Santos, descrito como o mais abrangente do mundo nesse tipo de iniciativa. O campo de Mero, localizado a 180 quilômetros do litoral do Rio de Janeiro, é um dos maiores ativos de petróleo offshore do Brasil e tem sido alvo de investimentos crescentes em gestão avançada de reservatórios, incluindo uma iniciativa de modelagem geológica com inteligência artificial, recentemente anunciada, no valor de US$ 28,7 milhões.
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