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Mastercard fica com conta milionária após colapso do Banco Master no Brasil.

A Mastercard ficou com um prejuízo milionário após o colapso do Banco Master SA do Brasil forçar a gigante de pagamentos a cobrir pagamentos a varejistas vinculados a cartões emitidos pelo braço fintech do banco, a Will Financeira SA, segundo a Bloomberg. A empresa agora está buscando reembolso do liquidante nomeado pelo Banco Central do Brasil.

A exposição decorre do papel da Mastercard como rede de cartões para o Will Bank, a marca voltada ao consumidor da Will Financeira, que atendia aproximadamente 12 milhões de clientes — muitos deles brasileiros de baixa renda na região Nordeste do país. Quando o Will Bank não cumpriu suas obrigações de liquidação de pagamentos em janeiro, a Mastercard foi contratualmente obrigada a ressarcir os comerciantes, deixando-a buscando recuperação por meio dos extensos processos de insolvência.

​Como a Mastercard se Envolveu

A Mastercard suspendeu os cartões do Will Bank de sua rede em 20 de janeiro de 2026, citando o não cumprimento pela fintech dos prazos de liquidação. No dia seguinte, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira, afirmando que a medida havia se tornado “inevitável” após tentativas de uma solução de mercado falharem.

No período que antecedeu a liquidação, a Mastercard já havia tomado medidas para se proteger. A empresa executou as garantias que detinha contra as dívidas do Will Bank, apropriando-se de uma participação de 31,87% na varejista online de decoração Westwing e de uma posição de 6,93% no Banco de Brasília, ou BRB, de acordo com registros na CVM, o regulador de valores mobiliários do Brasil. A Mastercard disse que pretende vender ambas as participações e não exercerá direitos de voto enquanto as detiver.

O Banco Central havia inicialmente poupado a Will Financeira quando liquidou o Banco Master em novembro de 2025, esperando que surgisse um comprador. Em uma reunião no dia 17 de novembro, o acionista controlador Daniel Vorcaro disse aos reguladores que esperava finalizar a venda da Will no dia seguinte — um acordo que nunca se concretizou.

Uma Crise Financeira Mais Ampla

As perdas da Mastercard são uma pequena parte das consequências devastadoras da maior fraude bancária do Brasil. A liquidação do Banco Master, Will Bank e do Banco Pleno, empresa afiliada, custou ao fundo garantidor de depósitos do Brasil, conhecido como FGC, cerca de R$ 51,8 bilhões (US$ 10 bilhões), o que representa mais de um terço do total de recursos do fundo. Os bancos brasileiros foram obrigados a contribuir com R$ 32,5 bilhões em financiamento emergencial até 25 de março para reabastecer o fundo esgotado.

Vorcaro, que foi preso no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, em novembro, quando supostamente tentava fugir para Dubai, fechou um acordo de delação premiada com as autoridades federais na semana passada, o que deve ampliar a investigação. A investigação já envolveu dois ministros do Supremo Tribunal Federal e altos funcionários do Banco Central acusados de auxiliar secretamente o banqueiro.

Acerto de Contas Regulatório

O episódio expôs os riscos que as redes de cartões enfrentam ao fazer parcerias com fintechs apoiadas por instituições financeiras instáveis. A EFB Regimes Especiais de Empresas, empresa designada pelo Banco Central para administrar a liquidação, está agora lidando com reclamações de credores de todo o grupo Master. A Mastercard se junta a uma longa lista de entidades que buscam recuperar fundos do processo, embora o resultado permaneça incerto dada a magnitude das acusações de fraude e a complexidade do processo de insolvência.

Enquanto isso, o Congresso brasileiro está acelerando a tramitação de uma legislação para expandir os poderes do Banco Central sobre liquidações bancárias, uma resposta direta ao escândalo da Master.

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