Brasil revive projeto de lei para adquirir 1 milhão de Bitcoin para reserva

Legisladores brasileiros reintroduziram um projeto de lei que poderia posicionar o país como o maior detentor soberano de Bitcoin do mundo, propondo a aquisição de até 1 milhão de BTC ao longo de cinco anos por meio de uma Reserva Estratégica Soberana de Bitcoin, conhecida como RESBit.
O Congresso Brasileiro reviveu em 13 de fevereiro o Projeto de Lei 4501/2024, uma versão significativamente ampliada da legislação apresentada inicialmente em novembro de 2024. O Deputado Federal Luiz Gastão, que defendeu a medida, afirmou que a proposta exigiria um gasto de pelo menos US$ 68 bilhões para adquirir a quantidade almejada, uma quantia que superaria as reservas de Bitcoin de países como Estados Unidos e China.
Estrutura Ampliada e Disposições Principais
A legislação revisada vai além da proposta original, que buscava alocar até 5% das reservas internacionais do Brasil em Bitcoin. O novo texto estabelece uma estrutura abrangente para acumulação e custódia, incluindo a proibição de venda de bitcoins apreendidos por autoridades judiciais, disposições que permitem a arrecadação de impostos federais em Bitcoin e incentivos para que empresas detenham e minerem a criptomoeda.
O projeto de lei determina que a reserva seja armazenada usando carteiras frias e tecnologia de múltiplas assinaturas, com o Banco Central e o Ministério da Fazenda compartilhando as responsabilidades de supervisão. Em uma disposição notável, a legislação também permite a detenção temporária de ETFs à vista lastreados em Bitcoin em circunstâncias emergenciais.
O deputado Gastão enfatizou que o projeto garante direitos fundamentais relacionados ao uso e custódia de ativos digitais, incluindo o direito à autocustódia, transferência livre de ativos e confidencialidade de transações, exceto quando autorizado por ordem judicial. A proposta também sugere usar Bitcoin como garantia para o Drex, a futura moeda digital do banco central brasileiro.
Obstáculos Regulatórios pela Frente
O projeto de lei enfrenta um caminho desafiador no Congresso. O banco central do Brasil atualmente não reconhece o Bitcoin como um ativo de reserva, e o Diretor de Política Monetária, Nilton David, já declarou anteriormente que seria inadequado incluir criptoativos nas reservas cambiais do país.
O projeto precisa passar pela Comissão de Finanças e Tributação, pela Comissão de Justiça e pela Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação antes de chegar a uma votação plenária no Congresso. Se aprovado na Câmara dos Deputados, seguiria para o Senado e, por fim, necessitaria da assinatura do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O deputado Eros Biondini, autor original do projeto e defensor das criptomoedas no Congresso, destacou as propriedades de escassez e segurança do Bitcoin como superiores ou complementares às reservas tradicionais em ouro e dólar. Se aprovado, o Brasil se juntaria a El Salvador, que atualmente detém aproximadamente 7.500 BTC, como uma nação que formalmente incorpora o Bitcoin em suas reservas soberanas.
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