BRB descumpre prazo do balanço e enfrenta risco de intervenção do BC.

BRB descumpre prazo do balanço e enfrenta risco de intervenção do BC.

O Banco de Brasília (BRB) não apresentou nesta terça-feira (31) o balanço consolidado de 2025, descumprindo o prazo estabelecido pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em fato relevante divulgado ao mercado, a instituição atribuiu o adiamento às auditorias internas decorrentes da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal para investigar fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master. A data para a nova divulgação não foi informada.

Pressão regulatória e risco de intervenção

Segundo a revista Veja, executivos do BRB marcaram reunião com o Banco Central para as 17h desta terça-feira para pedir mais prazo. O banco já havia solicitado formalmente a extensão do prazo até junho, mas não obteve resposta da autoridade monetária. Com o descumprimento, o BRB fica sujeito a multas diárias, abertura de processos contra seus administradores e, caso a irregularidade ultrapasse 12 meses, suspensão do registro de companhia aberta, conforme prevê a regulamentação da CVM. De acordo com a Veja, se não houver acordo, a liquidação do BRB pode se tornar iminente.

A crise tem origem na aquisição, entre 2024 e 2025, de cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master — operações que a Polícia Federal aponta como envolvendo ativos superfaturados ou inexistentes. O Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo BC em novembro de 2025, e seu proprietário, Daniel Vorcaro, foi preso pela PF em 4 de março de 2026 na terceira fase da Operação Compliance Zero, que resultou também no bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens.

Rombo bilionário e plano de capitalização

O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, estimou em março que a necessidade de provisão para cobrir o rombo é de cerca de R$ 8 bilhões, embora uma auditoria independente aponte que o impacto pode chegar a R$ 13,3 bilhões. Para tentar equacionar o problema, o banco propôs um aumento de capital de até R$ 8,86 bilhões e convocou uma Assembleia Geral Extraordinária para 22 de abril. O Governo do Distrito Federal também articula um empréstimo de R$ 4 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com garantias baseadas em ativos públicos.

Os balanços do terceiro e do quarto trimestres de 2025 também permanecem pendentes, ampliando a desconfiança de investidores sobre a real situação financeira da instituição.

#brb #CVM

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