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Lula denuncia tentativa de “colonização” por minerais na Celac.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que os países da América Latina e do Caribe tenham acesso a todas as etapas das cadeias de valor dos minerais críticos, da extração ao produto final. O discurso foi lido pelo chanceler Mauro Vieira no sábado (21), durante a 10ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), em Bogotá, na Colômbia.

“Temos a oportunidade de reescrever a história da região, sem repetir o erro de permitir que outras partes do mundo enriqueçam às nossas custas”, declarou Lula, segundo a Agência Brasil. O presidente lembrou que a América Latina detém a segunda maior reserva de minerais críticos e terras raras do mundo, insumos essenciais para a fabricação de chips, baterias e painéis solares.

“Querem nos colonizar outra vez”

No mesmo dia, durante o 1º Fórum Celac-África, Lula endureceu o tom ao afirmar que potências mundiais se utilizam “da força e do poder” para tentar dominar os recursos minerais de países latino-americanos e africanos. “Nos saquearam de ouro, prata e diamantes, e agora querem ser donas dos minérios críticos e terras-raras”, disse, segundo o Poder360. “Estão querendo nos colonizar outra vez”.

As declarações ocorrem em um contexto de pressão dos Estados Unidos para que o Brasil firme um acordo sobre minerais estratégicos. As tratativas entre os dois governos se arrastam desde 2025, e autoridades brasileiras não compareceram a uma cúpula sobre minerais críticos organizada com apoio da embaixada americana em São Paulo, conforme reportado pela Reuters.

A proposta do governo brasileiro é clara: exigir que o processamento dos minerais ocorra dentro do território nacional, em vez de exportar matéria-prima bruta. “A América Latina e o Caribe não cabem no quintal de ninguém”, afirmou Lula no discurso lido na Celac.

​Integração como escudo

O presidente também defendeu o fortalecimento da Celac e do Mercosul como instrumentos de soberania. “Quando caminhamos juntos, somos capazes de sobreviver às turbulências da economia e da geopolítica mundial”, disse. Lula propôs a ampliação do comércio intrarregional, a integração de cadeias produtivas e a adoção de um marco regional com parâmetros comuns para aumentar o poder de barganha frente a investidores.

O legado de Mujica e o olhar para o futuro

Dias antes da cúpula, em evento na Universidade Federal do ABC em homenagem póstuma ao ex-presidente uruguaio Pepe Mujica, Lula já havia tocado no tema. “Os minerais críticos e as terras raras serão uma forma de a gente recuperar a cidadania do povo latino-americano”, afirmou na quinta-feira (19), criticando séculos de exploração de recursos naturais na região.

A Celac marcou também a transferência da presidência pro tempore da Colômbia para o Uruguai. Poucos chefes de Estado compareceram pessoalmente à cúpula, mas o governo brasileiro considerou a presença de Lula indispensável para manter a relevância do bloco diante do que classifica como tentativas de ingerência externa na região.

#celac #lula #mercosul

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