Acordo comercial UE-Mercosul entra em vigor em 1º de maio.

A Comissão Europeia anunciou na segunda-feira que seu acordo de livre comércio com o bloco sul-americano Mercosul entrará em vigor provisoriamente em 1º de maio, um passo histórico que cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, unindo mais de 700 milhões de pessoas e economias que representam 25% do PIB global.
A Comissão informou que notificou formalmente Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai sobre a data de aplicação provisória, chamando-a de “um passo importante para demonstrar nossa credibilidade como um importante parceiro comercial”. O acordo começará a eliminar tarifas sobre mais de 90% do comércio entre os dois blocos.
25 Anos em Construção
O acordo, negociado ao longo de 25 anos, foi assinado em 17 de janeiro de 2026, em Assunção, Paraguai, após os Estados-membros da UE o aprovarem por maioria qualificada de 21 a 5 no Conselho, com Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votando contra. O Paraguai tornou-se o último membro fundador do Mercosul a ratificar o pacto em 17 de março, após Uruguai e Argentina no final de fevereiro e Brasil no início de março.
“A prioridade agora é transformar este acordo UE-Mercosul em resultados concretos, dando aos exportadores da UE a plataforma de que necessitam para aproveitar novas oportunidades de comércio, crescimento e empregos”, afirmou o chefe de comércio da UE, Maros Sefcovic.
Provisório Apesar de Contestação Legal
A Comissão está avançando apesar de o Parlamento Europeu ter votado 334 a 324 em 21 de janeiro para encaminhar o acordo à Corte de Justiça Europeia, questionando se a divisão do acordo em dois instrumentos é legalmente válida e se suas disposições restringem a capacidade da UE de estabelecer políticas ambientais. Essa opinião legal pode levar até dois anos.
No entanto, a aplicação provisória das disposições comerciais está sob competência exclusiva da UE e não requer o consentimento do Parlamento Europeu, seguindo um precedente similar ao acordo comercial UE-Canadá, que está sendo aplicado provisoriamente desde 2017 sem ratificação completa. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sinalizou em fevereiro que a Comissão seguiria em frente, afirmando que “uma vantagem de pioneirismo precisa se materializar”.
Oposição Francesa Persiste
A França, que liderou esforços malsucedidos para bloquear o acordo por preocupações de que produtos agrícolas sul-americanos mais baratos prejudicariam seus agricultores, permanece contrária. O acordo impõe cotas rígidas sobre produtos como carne bovina e açúcar e inclui cronogramas escalonados de redução tarifária, enquanto a UE ofereceu subsídios para ajudar os agricultores europeus a se adaptarem. O acordo ainda requer uma votação final de ratificação no Parlamento Europeu após a conclusão do processo judicial.
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