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Governo leva debate sobre escala 6×1 às ruas do Rio.

A proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1 no Brasil ganhou ritmo acelerado no Congresso Nacional e nas ruas, com o governo federal intensificando a mobilização popular enquanto entidades patronais alertam para impactos bilionários na economia. Pesquisa Datafolha divulgada em 15 de março mostrou que 71% dos brasileiros apoiam a redução da jornada, ante 64% no final de 2024.

Governo pressiona, Câmara pede cautela

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, defendeu em audiência pública na Câmara dos Deputados, em 17 de março, que a mudança avance “o mais rapidamente possível”. “Há um clamor, especialmente da juventude trabalhadora, para que a gente analise o fim da jornada 6×1”, afirmou o ministro. O governo planeja realizar nesta sexta-feira (20) um evento chamado “Debate na Rua” na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, para ouvir trabalhadores sobre a proposta.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, no entanto, sinalizou que o Legislativo não será apressado. Em almoço com a Frente Parlamentar do Empreendedorismo, Motta disse que “por mais que estejamos em ano de eleição, não vamos conduzir esse debate de maneira atropelada, sem medir as consequências”. A expectativa é de que uma comissão especial seja instalada em maio, com votação prevista antes do recesso de julho.

Empresários e trabalhadores em lados opostos

O setor produtivo reagiu com estudos que projetam custos elevados. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) estimou custo adicional de R$ 122,4 bilhões por ano no setor comercial, com aumento de 21% na folha salarial e possível alta de até 13% nos preços ao consumidor. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) calculou que a mudança pode elevar despesas do setor público em até R$ 4 bilhões anuais. Já a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) apontou que o PIB brasileiro poderia cair até 3,7% no primeiro ano, com risco de demissão ou informalidade para cerca de 1,5 milhão de trabalhadores formais.

Do lado dos trabalhadores, a economista Marilane Teixeira, do Centro de Estudos Sindicais da Unicamp, contesta essas projeções. Segundo ela, a redução de 44 para 36 horas poderia criar até 4,5 milhões de empregos e aumentar a produtividade em 4%. “Não é verdade que o brasileiro trabalhe pouco. O que existe, na verdade, são jornadas exaustivas”, afirmou à CUT.

Os termos do debate

A principal proposta em tramitação, de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), prevê jornada máxima de 36 horas semanais em quatro dias de trabalho. No Senado, a PEC relatada pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE) propõe redução gradual ao longo de cinco anos, de 44 para 36 horas. O presidente Edinho Silva, do PT, disse ao Poder360 que empresários “se equivocam” ao resistir à medida — enquanto a CNC argumenta que os parlamentares “não têm ideia” dos impactos econômicos das propostas.​

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