O Ibovespa superou pela primeira vez os 197 mil pontos nesta sexta-feira (10), renovando a máxima histórica pelo terceiro pregão consecutivo. O principal índice da B3 atingiu 197.486 pontos na máxima intradiária, impulsionado sobretudo pelo fluxo robusto de capital estrangeiro, enquanto o dólar recuou para perto de R$ 5,00, menor patamar em dois anos.
O movimento contrasta com um ambiente externo ainda instável e com a inflação doméstica acima do esperado — o IPCA de março subiu 0,88%, ante expectativa de 0,77%. Ainda assim, a convergência de fatores técnicos e macroeconômicos tem sustentado o apetite por ativos brasileiros.
Fluxo estrangeiro como motor do rali
O capital externo tem sido o principal vetor de sustentação do Ibovespa em 2026. Somente no primeiro trimestre, investidores estrangeiros aportaram R$ 53,8 bilhões na bolsa brasileira, o terceiro maior resultado em 11 anos. Em abril, o saldo positivo já soma R$ 1,8 bilhão apenas na última semana, enquanto investidores locais seguiram na ponta vendedora.
Segundo Filipe Villegas, estrategista da Genial Investimentos, o Ibovespa acumula sete pregões consecutivos de alta e se aproxima da maior valorização semanal em quase um ano. A participação de estrangeiros no mercado brasileiro atingiu 61,5% em 2026, ante 58,3% no ano anterior.
Cessar-fogo e perspectiva de corte na Selic
O otimismo global em torno das negociações de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, previstas para começar neste sábado, adicionou impulso aos mercados de risco. O índice DXY, que mede a força do dólar ante moedas fortes, recuou mais de 1%, enquanto os índices MSCI de emergentes e da América Latina avançaram cerca de 5%.
No campo doméstico, o JPMorgan reafirmou que o ciclo de afrouxamento monetário deve ganhar tração. Os economistas do banco projetam que o Copom acelere o ritmo de corte da Selic para 50 pontos-base na reunião de 29 de abril, levando a taxa básica a 11,75% ao fim do ano. Em relatório divulgado na quinta-feira, o banco destacou que o Ibovespa já supera seu cenário-base de 190 mil pontos e que atingir a meta otimista de 230 mil pontos dependeria de sinalizações de responsabilidade fiscal no contexto das eleições de outubro.
O que vem pela frente
Com a marca de 200 mil pontos cada vez mais próxima, analistas avaliam que a continuidade do rali depende da manutenção do fluxo estrangeiro e do cenário geopolítico. Fernando Bergallo, diretor da FB Capital, destacou a “coerência interna” do mercado brasileiro, “com bolsa subindo e dólar caindo”.
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