Investigadores da Polícia Federal brasileira estão aprofundando o escrutínio sobre fluxos financeiros internacionais ligados a Daniel Vorcaro, fundador preso do Banco Master, como parte da ampla Operação Compliance Zero que investiga suposta gestão fraudulenta relacionada à tentativa de venda do banco para o Banco de Brasília (BRB), estatal. A investigação focou em centenas de milhões de reais desviados por paraísos fiscais, enquanto novas revelações sobre viagens de Vorcaro em jato particular com políticos proeminentes adicionaram uma dimensão política explosiva ao caso.
Trilha Offshore pelas Ilhas Cayman
De acordo com um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Brasil, empresas vinculadas a Vorcaro transferiram mais de R$ 707 milhões em ativos do Banco Master para a Titan Capital Holding, uma entidade offshore registrada nas Ilhas Cayman em setembro de 2024, durante o período em que Vorcaro negociava a venda do Master para o BRB. As transferências, que ocorreram entre janeiro e julho de 2025, passaram por uma série de fundos de investimento. A maior transação isolada — R$ 555,7 milhões — foi direcionada através de uma cadeia de fundos em 2 de abril de 2025, apenas dias após o anúncio público do acordo Master-BRB em 28 de março. O Banco Central do Brasil congelou os ativos da Titan desde então, citando suas ligações com a rede de Vorcaro. Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025 no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai. Em janeiro, seu cunhado Fabiano Zettel também foi detido ao tentar voar para Dubai durante a segunda fase da operação.
Jato Particular, Autoridades Públicas
Uma reportagem publicada pelo O Globo esta semana revelou que, em 28 de agosto de 2025, Vorcaro voou de Brasília para São Paulo em um jato particular ao lado do senador Ciro Nogueira, dos deputados Isnaldo Bulhões e Rodrigo Gambale, e dos ex-ministros Fábio Faria e Bruno Bianco. O voo ocorreu apenas seis dias antes de o banco central vetar a transação Master-BRB em 3 de setembro. Documentos, mensagens de WhatsApp apreendidas pela Polícia Federal e publicações em redes sociais corroboram a viagem. Vorcaro teria dito a associados que tinha “amigos fortes” em Brasília e que avançar negócios no Brasil exigia “esse tipo de proteção”. Separadamente, uma reportagem da Folha de S. Paulo constatou que o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes voou em aeronaves executivas ligadas a Vorcaro pelo menos oito vezes entre maio e outubro de 2025.
Acordo de Delação Premiada Toma Forma
Vorcaro, que está preso desde sua nova detenção em 4 de março durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, assinou um acordo de confidencialidade com a Polícia Federal e o Ministério Público em 19 de março, abrindo formalmente o caminho para uma delação premiada. Investigadores que acompanham as negociações disseram nesta semana que esperam que os primeiros capítulos do depoimento de Vorcaro sejam entregues dentro de duas semanas. O potencial acordo pode esclarecer as conexões políticas que sustentaram a expansão rápida — e, em última análise, fraudulenta — da Master, que, segundo os promotores, causou prejuízos de pelo menos R$ 12,2 bilhões ao BRB por meio de carteiras de crédito falsificadas.
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