Rio Tinto e Chinalco compram CBA do Brasil por US$ 903 milhões.

A Aluminum Corporation of China (Chinalco) e a Rio Tinto acordaram adquirir uma participação de controle na Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), a mais antiga empresa de alumínio estabelecida no Brasil, em um negócio avaliado em aproximadamente US$ 903 milhões. A aquisição marca uma das transações mais significativas no setor global de alumínio neste ano, enquanto gigantes da mineração chinesa e ocidental buscam garantir suprimentos de alumínio de baixo carbono em meio às projeções de escassez.
Nos termos anunciados na quinta-feira à noite, as duas empresas adquiriram a participação de controle de 68,596% da Votorantim na CBA por 10,50 reais por ação, representando um prêmio de 21,2% sobre o preço médio ponderado de negociação dos 20 dias de negociação anterior à assinatura, de acordo com comunicado da Business Wire divulgado pela Rio Tinto. A participação será gerenciada por meio de uma joint venture detida 67% por uma participação da Chinalco e 33% pela Rio Tinto.
Justificativa Estratégica
O negócio ocorre num momento em que o mercado de alumínio enfrenta condições de abertura na oferta. O Citigroup projeta um déficit estrutural de 61.000 toneladas em 2026, ampliando-se para 847.000 toneladas até 2027, impulsionado pela demanda de transição energética e restrições na produção. A China, que domina a produção global de alumínio, está operando com quase 97% de utilização da capacidade, com limites de produção devidamente instalados.
“Esta aquisição está alinhada com nossa estratégia de gerar valor para os acionistas ao expandir nossa presença em alumínio de baixo carbono com energia renovável em mercados de rápido crescimento”, disse Jérôme Pécresse, CEO de Alumínio e Lítio da Rio Tinto. “Ela também oferece a oportunidade de expandir nossa cadeia de suprimentos de bauxita e alumina na região do Atlântico.”
A CBA opera uma cadeia de produção de alumínio verticalmente integrada, integrada por um portfólio de 1,6 GW de ativos de geração de energia renovável, incluindo 21 usinas hidrelétricas e complexos de energia eólica. As operações da empresa são alimentadas por eletricidade renovável, tornando-a atraente para compradores que buscam produção de alumínio de baixo carbono. A CBA opera três minas de bauxita que produzem aproximadamente 2 milhões de toneladas anualmente e um complexo de alumínio em São Paulo com 800.000 toneladas de capacidade de refino de alumina e 400.000 toneladas de capacidade de especificações.
Consolidação do Setor
A aquisição da CBA reflete uma onda mais ampla de negociações no setor de metais e mineração. A Rio Tinto está simultaneamente considerando uma possível fusão com a rival Glencore que poderia criar a maior empresa de mineração do mundo com um valor de mercado superior a US$ 200 bilhões. De acordo com as regras de aquisição do Reino Unido, a Rio Tinto tem até 5 de fevereiro para anunciar uma intenção firme de fazer uma oferta pela Glencore ou desistir.
O processo de venda da CBA também atraiu o interesse da Emirates Global Aluminium, de propriedade conjunta do fundo soberano Mubadala de Abu Dhabi e da Investment Corporation de Dubai. No entanto, as negociações com a empresa sediada nos Emirados Árabes Unidos não avançaram, segundo a Reuters.

Após a conclusão da transação, que permanece sujeita às aprovações regulatórias e condições de fechamento comuns, a joint venture lançará uma oferta pública obrigatória (OPA) pelas ações remanescentes da CBA não detidas pela Votorantim, conforme exigido pela lei brasileira. Embora a intenção atual seja realizar uma oferta de fechamento de capital simultaneamente, isso poderá ser reavaliado após o fechamento. As ações da CBA mais que dobraram nos últimos 12 meses, elevando sua capitalização de mercado para US$ 1,27 bilhão.
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