Reino Unido, França, Alemanha e Japão se comprometem a ajudar a garantir a segurança do Estreito de Ormuz.

Líderes do Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão declararam na quinta-feira sua disposição para ajudar a garantir a passagem segura pelo Estreito de Ormuz, marcando uma mudança notável após várias dessas mesmas nações terem recusado demandas anteriores do presidente Donald Trump de enviar navios de guerra para a via marítima disputada.
Em uma declaração conjunta publicada pelo governo britânico, as seis nações condenaram “nos termos mais fortes os recentes ataques do Irã contra embarcações comerciais desarmadas no Golfo, ataques à infraestrutura civil incluindo instalações de petróleo e gás, e o fechamento de fato do Estreito de Ormuz pelas forças iranianas”. Elas exigiram que Teerã “cesse imediatamente suas ameaças, colocação de minas, ataques de drones e mísseis e outras tentativas de bloquear o Estreito ao tráfego comercial marítimo”.
Uma Reversão Após Relutância Inicial
O compromisso vem após semanas de tensão diplomática entre Washington e seus aliados sobre quem deveria assumir a responsabilidade pela reabertura do estreito, por onde normalmente flui aproximadamente um quinto do petróleo mundial. Trump pediu a “cerca de sete” países que enviassem navios de guerra para patrulhar a hidrovia, citando publicamente China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido. Quando vários recusaram, Trump alertou: “Nós vamos lembrar”.
O presidente francês Emmanuel Macron inicialmente disse que as nações europeias “não faziam parte do conflito” e não participariam de uma operação militar para reabrir o estreito. Alemanha e Reino Unido deram respostas igualmente cautelosas. A declaração conjunta de quinta-feira não chega a comprometer forças militares, mas sinaliza uma disposição para participar de um planejamento de segurança mais amplo, acolhendo “o compromisso das nações que estão se engajando no planejamento preparatório”.
Mercados de Energia Sob Pressão
A declaração também abordou as consequências econômicas do bloqueio quase total do estreito pelo Irã, iniciado após os EUA e Israel lançarem ataques coordenados contra o Irã em 28 de fevereiro. Pelo menos 17 embarcações comerciais foram atacadas na região do Golfo desde o início da guerra, segundo o The New York Times. Os preços do petróleo Brent subiram acentuadamente, com o referencial internacional sendo negociado acima de US$ 113 por barril na quinta-feira, de acordo com a Agência Anadolu.
As seis nações saudaram a decisão da Agência Internacional de Energia de autorizar uma liberação coordenada de reservas estratégicas de petróleo — uma retirada sem precedentes de 400 milhões de barris, aproximadamente o dobro do recorde anterior estabelecido após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Os Estados Unidos comprometeram 172 milhões de barris de seu próprio estoque, com o Japão prometendo 80 milhões de barris.
Guerra não mostra sinais de fim
As manobras diplomáticas sobre o estreito ocorrem enquanto o conflito mais amplo entre EUA, Israel e Irã continua a se intensificar. Mais de 1.200 pessoas foram mortas no Irã desde o início das hostilidades, de acordo com a Agência Anadolu, enquanto ataques israelenses também atingiram alvos no Líbano. O Comando Central dos EUA informou esta semana que implantou munições antibunker de 5.000 libras contra silos iranianos de mísseis fortificados ao longo da costa próxima ao estreito. O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que Teerã foi procurado por vários países buscando passagem segura para suas embarcações e que os militares iranianos decidiriam quais navios poderiam transitar — ressaltando o que analistas descrevem como o novo papel do Irã como guardião da hidrovia.
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