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Caminhoneiros decidem hoje se aceitam propostas do governo.

A ameaça de uma paralisação nacional de caminhoneiros levou o governo federal a acelerar um conjunto de ações para conter a disparada do diesel e atender às demandas da categoria. Na quarta-feira (18), o ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou medidas para endurecer a fiscalização do piso mínimo do frete, enquanto lideranças dos caminhoneiros decidiram aguardar a publicação das normas prometidas antes de decretar a greve. Uma nova reunião está marcada para esta quinta-feira (19) para avaliar se as propostas do governo são suficientes.

​Pacote fiscal de R$ 30 bilhões e o reajuste da Petrobras

O pacote emergencial começou em 12 de março, quando Lula assinou decretos zerando as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel e criou uma subvenção de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores, com impacto fiscal estimado em R$ 30 bilhões até o fim de 2026. A expectativa era de um alívio de R$ 0,64 por litro nas bombas. No dia seguinte, porém, a Petrobras anunciou reajuste de R$ 0,38 por litro do diesel A, neutralizando na prática boa parte do benefício e intensificando a revolta da categoria.

O preço do diesel acumulou alta próxima de 19% desde o final de fevereiro, segundo dados do setor, com a média nacional atingindo cerca de R$ 6,90 por litro. O cenário é agravado pela escalada do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio.

Frete mínimo e punições a empresas

As medidas anunciadas por Renan Filho na quarta-feira focam no cumprimento da tabela de pisos mínimos do frete. Empresas que descumprirem a legislação de forma reiterada poderão ser impedidas de contratar transporte de cargas, com possibilidade de cassação do registro. O ministro citou nominalmente cinco empresas com maior volume de autuações: BRF, Vibra Energia, Raízen, Ambev e Cargill. Nos últimos quatro meses, as multas por descumprimento do frete mínimo somaram R$ 419 milhões.

Em paralelo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reuniu-se com secretários estaduais para discutir uma possível redução temporária do ICMS sobre o diesel, embora governadores já tenham rejeitado o apelo inicial de Lula.

​Caminhoneiros em “estado de paralisação”

Wallace Landim, o Chorão, presidente da Abrava, declarou ao Poder360 que “a categoria já decidiu cruzar os braços caso não haja avanço com o governo” e que, sem acordo, a intenção é “realizar uma greve igual ou maior à de 2018”. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) agendou reunião com o ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, enquanto acompanha a mobilização. A orientação inicial das lideranças é de parada sem bloqueio de rodovias, com caminhoneiros deixando de aceitar cargas.

#caminhoneiros

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