Justiça de SP aceita recuperação extrajudicial da Raízen de R$ 65 bi.

A Justiça de São Paulo aceitou nesta semana o processamento do pedido de homologação do plano de recuperação extrajudicial da Raízen, dando início formal ao maior processo de reestruturação de dívida extrajudicial da história do Brasil. A decisão autoriza o avanço da renegociação de cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras quirografárias do grupo, ligado à Cosan e à Shell, e suspende cobranças judiciais contra a companhia por até 180 dias.
O magistrado reconheceu que a documentação apresentada pela empresa atende aos requisitos da legislação e determinou a comunicação formal aos credores, que terão 30 dias para apresentar eventuais impugnações ao plano. A Raízen tem agora prazo de 90 dias para comprovar adesão suficiente dos credores — pelo menos 50% — para que o plano seja homologado e passe a valer para a totalidade das dívidas incluídas na negociação.
Um passivo recorde
O pedido de recuperação extrajudicial foi protocolado na quarta-feira (11) na Comarca da Capital de São Paulo, tornando-se a maior operação do tipo no país — quase cinco vezes superior à tentativa do Grupo Intercement, de R$ 21,9 bilhões, em 2024. Segundo a empresa, o plano já contava com a adesão de credores que representam mais de 47% das dívidas financeiras sem garantia, percentual acima do mínimo legal de um terço exigido para o ajuizamento do pedido.
O valor atribuído à causa alcança R$ 98,6 bilhões, incluindo R$ 33,5 bilhões em obrigações entre empresas do próprio grupo. A companhia ressaltou em comunicado ao mercado que o processo é “estritamente financeiro” e não afeta relações com clientes, fornecedores, revendedores ou parceiros comerciais.
Crise financeira e rebaixamentos
A deterioração financeira da Raízen decorre de uma combinação de investimentos agressivos em projetos de transição energética que não geraram retorno no prazo esperado, condições climáticas adversas e a pressão de juros elevados sobre o serviço da dívida. Até o terceiro trimestre do ano fiscal 2025/2026, a empresa acumulava prejuízo de R$ 15,6 bilhões e dívida líquida de R$ 55,3 bilhões.
Na esteira do pedido, a S&P Global Ratings rebaixou o rating da Raízen para “SD” (inadimplência seletiva), citando a suspensão de pagamentos de juros e principal durante o período de negociação. A Fitch também havia rebaixado a nota da companhia para “C”. Entre as medidas previstas no plano estão capitalização pelos acionistas — com proposta de aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões de veículo ligado à família de Rubens Ometto —, conversão de dívidas em ações, alongamento de prazos e eventual venda de ativos.
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