Avibras encerra greve de 1.280 dias após acordo trabalhista de R$ 230 mi.

Os funcionários da Avibras Indústria Aeroespacial, sediada em Jacareí (SP), aprovaram na noite de quarta-feira (11) uma proposta para pagamento de dívidas trabalhistas e encerraram uma greve que durou 1.280 dias — uma das mais longas já registradas no Brasil. A paralisação teve início em 9 de setembro de 2022, em razão do atraso sistemático no pagamento de salários.
Com a decisão, tomada em assembleia no Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, a maior indústria bélica do país dá os primeiros passos para retomar suas operações, previstas para abril.
Acordo e reestruturação
A proposta aprovada prevê o pagamento de aproximadamente R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas, beneficiando cerca de 1.400 trabalhadores. O plano estabelece parcelamento de 12 a 48 vezes, conforme a faixa salarial de cada funcionário.
Para viabilizar a retomada, a Avibras vai desligar os cerca de 850 trabalhadores que permanecem registrados na fábrica, quitar os débitos conforme o acordo e realizar 450 recontratações graduais. As demissões devem ser formalizadas em 31 de março, com homologações e novas contratações em abril. Um primeiro grupo de 210 trabalhadores será chamado de volta ainda este mês, com mais 240 a partir de junho.
Decisão judicial e recuperação
A aprovação dos trabalhadores ocorreu um dia após o Tribunal de Justiça de São Paulo rejeitar, na terça-feira (10), um pedido de credores do mercado financeiro para anular o plano alternativo de recuperação judicial da empresa. A Avibras havia entrado com pedido de recuperação judicial em março de 2022, com dívidas estimadas em cerca de R$ 600 milhões.
Em nota, a empresa afirmou que “registrou avanços relevantes em seu processo de reestruturação” e que prossegue nos preparativos para restabelecer suas operações nos setores de defesa e aeroespacial. A direção também segue em negociação com o Ministério da Defesa e as Forças Armadas para novos contratos.
“Assembleia histórica”
O presidente do Sindicato, Weller Gonçalves, classificou o momento como “uma assembleia histórica” e criticou a falta de apoio do governo federal ao longo dos quatro anos de crise. “Foi um período muito difícil para os trabalhadores, que ficaram mais de 30 meses sem salário e sem o suporte do Estado. Cada um dos lutadores merece o reconhecimento pela força e resistência”, afirmou.
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