Galípolo assina manifesto global em defesa de Powell e do Fed.

O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, uniu-se nesta terça-feira (13) a líderes de autoridades monetárias de todo o mundo em uma demonstração inédita de solidariedade ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. O manifesto internacional, divulgado em resposta à pressão política exercida pelo governo de Donald Trump sobre o Fed, reafirma a independência dos bancos centrais como “pilar fundamental da estabilidade de preços, financeira e econômica no interesse dos cidadãos”.
A declaração conjunta, publicada pelo Banco Central Europeu, foi assinada por Christine Lagarde (BCE), Andrew Bailey (Banco da Inglaterra), além de autoridades monetárias da Suécia, Dinamarca, Suíça, Noruega, Austrália, Canadá e Coreia do Sul. François Villeroy de Galhau e Pablo Hernández de Cos assinaram em nome do Banco de Compensações Internacionais (BIS).
Investigação criminal contra Powell
O manifesto surge após Powell revelar, no domingo (11), que o Departamento de Justiça dos EUA emitiu intimações de um grande júri contra ele, sinalizando possível indiciamento criminal relacionado a reformas de prédios históricos do Fed em Washington. Powell afirmou que a investigação, autorizada por Jeanine Pirro, aliada de Trump, representa uma escalada nas tentativas de pressão política sobre a autoridade monetária.
“A ameaça de acusação criminal surge porque o Federal Reserve toma decisões sobre taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que serve ao interesse público, e não seguindo as preferências do presidente”, declarou Powell. Trump tem criticado publicamente o presidente do Fed, chamando-o de “idiota” e dizendo que ele “vai embora em breve”.
O mandato de Powell termina em maio, e Trump já indicou que anunciará seu substituto em breve, com Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, como um dos cotados.
Contexto brasileiro
Para Galípolo, a adesão ao manifesto ocorre em momento delicado internamente. A liquidação do Banco Master pelo BC em novembro de 2025 gerou questionamentos no Tribunal de Contas da União, reacendendo debates sobre a autonomia da autoridade monetária no país. Na segunda-feira (12), Galípolo reuniu-se com o presidente do TCU, Vital do Rêgo, que confirmou que uma inspeção sobre o processo de liquidação está em andamento, mas ressaltou que apenas o Supremo Tribunal Federal poderia reverter a medida.
Segundo integrantes do mercado, a defesa pública da independência dos bancos centrais busca reforçar a confiança na condução técnica da política monetária em um cenário global de volatilidade.
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