Enel admite que apagão de dezembro afetou o dobro de clientes.

A Enel reconheceu que o apagão provocado pelo ciclone extratropical em dezembro atingiu 4,4 milhões de clientes em São Paulo, mais do que o dobro do número divulgado inicialmente pela concessionária. A informação, enviada à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 19 de dezembro, só veio a público esta semana, aumentando a pressão sobre a empresa responsável pela distribuição de energia na capital paulista e em 23 municípios da região metropolitana.
A revelação ocorre enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou, nesta segunda-feira (12), que órgãos federais investiguem as falhas recorrentes no fornecimento de energia pela empresa. O despacho, publicado no Diário Oficial da União, mobiliza o Ministério de Minas e Energia, a Advocacia-Geral da União, a Controladoria-Geral da União e a Aneel para garantir a “prestação adequada, contínua e eficiente” do serviço à população.
Discrepância nos dados
Durante o evento climático dos dias 10 e 11 de dezembro, a Enel informou que cerca de 2 milhões de consumidores haviam sido afetados. Em entrevista ao programa Bom Dia São Paulo, na manhã de 11 de dezembro, o diretor regional da empresa reiterou que esse havia sido o pico de clientes desligados.
No entanto, em documento enviado à Aneel, a concessionária admitiu que o número correspondia apenas ao pico de desligamentos simultâneos registrados em tempo real, e não ao total acumulado. “Foram 12 horas seguidas de fortes ventos e, na medida em que a empresa reconectava clientes desligados, outros eram impactados sucessivamente com a força do vendaval”, afirmou a Enel em comunicado.
Pressão por rompimento de contrato
O ciclone extratropical gerou ventos que chegaram a 98 km/h em algumas áreas da região metropolitana, segundo a Defesa Civil. Mais de 330 árvores caíram sobre a fiação, interrompendo o fornecimento de energia. Milhares de pessoas ficaram sem luz durante vários dias.
Em dezembro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o prefeito da capital, Ricardo Nunes, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciaram que levariam à Aneel um pedido de caducidade do contrato de concessão da Enel. “É insustentável a situação da Enel em São Paulo, ela não tem mais condição de prestar serviço”, afirmou Tarcísio.
A Enel informou em nota que vem cumprindo suas obrigações contratuais e regulatórias e que já investiu mais de R$ 10 bilhões em São Paulo desde 2018.
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