Caixa negocia compra de ativos do BRB em meio à crise bancária no Brasil.

O conselho da Caixa Econômica Federal se reuniu na segunda-feira para discutir possíveis medidas de apoio ao Banco de Brasília (BRB), que enfrenta dificuldades financeiras, incluindo a compra de carteiras de crédito do banco regional. As conversas ocorrem enquanto o BRB enfrenta uma crise existencial decorrente de bilhões de reais perdidos em negociações com o extinto Banco Master.
De acordo com reportagem publicada primeiro pelo O Globo e confirmada pela Broadcast, o serviço de notícias do Grupo Estado, a Caixa está negociando a aquisição de carteiras de crédito originadas pelo próprio BRB — excluindo explicitamente ativos vinculados ao Banco Master. As propostas devem ser apresentadas ao BRB na terça-feira, 24 de fevereiro, quando os presidentes de ambas as instituições — Nelson de Souza do BRB e Carlos Vieira da Caixa — devem se reunir. Fontes próximas às discussões disseram à Broadcast que, embora as conversas sobre a federalização do BRB sejam consideradas “prematuras”, executivos sêniores da Caixa não descartaram ampliar as discussões para incluir outras soluções.
Um Rombo de Bilhões de Reais
Os problemas do BRB remontam à aquisição de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master que, segundo investigadores, eram em grande parte fraudulentas. Embora o BRB tenha conseguido trocar esses créditos por outros ativos do Master, a qualidade duvidosa das participações recebidas em troca deixou o banco enfrentando perdas estimadas entre R$ 5 bilhões e R$ 9 bilhões. Com o patrimônio de referência do BRB em R$ 4,289 bilhões em setembro de 2025, as provisões necessárias efetivamente empurram o balanço patrimonial do banco para território negativo.
O Banco Central do Brasil determinou que o BRB deve apresentar seus resultados anuais auditados até 31 de março e alertou que poderá impor medidas cautelares caso o governo do Distrito Federal não injete capital até esse prazo. O Banco Central havia exigido anteriormente provisões de pelo menos R$ 2,6 bilhões, valor que aumentou desde então à medida que a dimensão das perdas ficou mais clara.
Ficando Sem Opções
As negociações com a Caixa seguem semanas de esforços difíceis do BRB para reforçar suas finanças. O presidente do BRB, Nelson de Souza, ex-presidente executivo da Caixa que foi empossado em novembro de 2025 após a destituição judicial de seu antecessor, viajou para a Faria Lima, no distrito financeiro de São Paulo, no início deste mês para cortejar investidores — mas encontrou pouco apetite por ativos ligados ao escândalo Master. O governo do Distrito Federal enviou um projeto de lei à câmara legislativa local em 20 de fevereiro propondo usar imóveis públicos como garantia para um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos, mas os parlamentares sinalizaram que não têm pressa para aprová-lo.
Uma alternativa em discussão é a participação da Caixa em um consórcio bancário que emprestaria ao governo do Distrito Federal, permitindo que este recapitalize o BRB — um caminho que fontes consideram menos drástico do que a federalização completa. O Ministério Público pediu, enquanto isso, ao Tribunal de Contas da União que monitore qualquer processo potencial de federalização, alertando que isso traria implicações fiscais e administrativas pesadas. A federalização completa permanece como último recurso: “Se houver federalização ou privatização, não será sob a presidência de Nelson”, disse o chefe do BRB.
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