Economia brasileira cresceu 2,2% em 2025, aponta prévio da FGV.

A economia brasileira cresceu 2,2% em 2025 na comparação com o ano anterior, segundo o Monitor do PIB divulgado na sexta-feira (20) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado marca o quinto ano consecutivo de expansão, mas representa uma desaceleração frente aos 3,4% registrados em 2024 e é o menor avanço desde 2021. O dado preliminar, que reúne informações da indústria, comércio, serviços e agropecuária, antecipa os números oficiais do PIB, que o IBGE divulgará em 3 de março.
Perda de fôlego no fim do ano
Em dezembro, o PIB ficou estável em relação a novembro, e o quarto trimestre não apresentou variação frente ao terceiro trimestre. Para Juliana Trece, coordenadora do Núcleo de Contas Nacionais do Ibre/FGV, a perda de ritmo ficou evidente ao longo do ano:
“Nota-se evidente perda de fôlego do PIB ao longo de 2025, com a taxa, na série ajustada sazonalmente, tendo iniciado o ano com forte crescimento e provisionamento estável no quarto trimestre de 2025”.
A coordenadora atribuiu a desaceleração aos juros altos e às tarifas impostas pelos Estados Unidos. A taxa Selic, instrumento central do Banco Central para conter a inflação, foi elevada de 10,5% ao ano, em setembro de 2024, até 15% em junho de 2025, patamar interrompido desde então e que permanece no maior nível em quase duas décadas. O Copom sinalizou, na reunião de janeiro de 2026, que poderá iniciar o ciclo de cortes em março.
Setores e registros
O Monitor da FGV estima que o consumo das famílias cresceu 1,5%, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede investimentos produtivos, avançou 3,6%, e as exportações subiram 6,2%. A taxa de investimento atingiu 17,1%, a maior em três anos. Em valores correntes, o PIB alcançou R$ 12,63 trilhões, recorde histórico, com o PIB per capita chegando a R$ 59,182.
O dado da FGV veio dias após o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), outra prévia do PIB, ter apontado crescimento de 2,5% em 2025 — resultado acima da estimativa do próprio Ministério da Fazenda, de 2,3%, e do Boletim Focus, de 2,25%. A diferença deve ser metodológica: o IBC-Br incorpora dados de impostos e utilização de cálculos próprios do Banco Central, enquanto o Monitor da FGV segue critérios mais próximos dos adotados pelo IBGE.
Cenário externo e perspectivas
Na sexta-feira (20), a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou, por 6 votos a 3, as tarifas recíprocas impostas por Donald Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). A decisão anula taxas de 10% ou mais aplicadas desde abril de 2025, embora tarifas sobre aço e alumínio permaneçam em vigor. Analistas avaliam que a derrubada das tarifas recíprocas pode aliviar a pressão sobre as exportações brasileiras e reduzir as incertezas para a economia em 2026. Apesar do impacto restritivo dos juros e das barreiras comerciais, o Brasil encerrou 2025 com a menor taxa de desemprego já registrada, segundo o IBGE.
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