TCU não encontra falhas do BC na liquidação do Banco Master

A área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) finalizou a inspeção nos documentos do Banco Central (BC) sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master e não acordos ressalvas à conduta da autoridade monetária, de acordo com fontes ouvidas pela Reuters. O relatório será entregue ao ministro relator Jhonatan de Jesus nesta quinta-feira (12), conforme declarou o presidente do TCU, Vital do Rêgo, durante evento em São Paulo.
A conclusão técnica excluiu a tese de negligência do BC no acompanhamento das fraudes que levaram à liquidação do banco de Daniel Vorcaro em novembro de 2025. Segundo a avaliação dos auditores do AudBancos, unidade especializada do TCU, o Banco Central manteve o monitoramento contínuo da instituição desde o primeiro semestre de 2024 e comunicou os crimes ao Ministério Público Federal antes de decretar a liquidação.
Limites da atuação do TCU
Vital do Rêgo reforçou que o Tribunal não tem poder para reverter a liquidação do Banco Master. “O TCU analisa se a atitude de decisão obedeceu às normas do direito administrativo. Se for pego em erro ou dano, alguém vai responder”, declarou o presidente durante a Conferência de CEOs, organizada pelo BTG Pactual.
A fiscalização foi apurada em janeiro após o TCU considerar insuficiente a nota técnica enviada pelo Banco Central sobre a liquidação. O procedimento gerou tensão entre as instituições, mas um acordo permitiu que os técnicos acessassem documentos sigilosos relacionados a fraudes, negociações de venda e o processo de intervenção.

Impacto sobre os bancos públicos
Enquanto a inspeção no TCU se encerra sem indícios de irregularidades no BC, o setor bancário público segue sob pressão. O Banco do Brasil divulgou lucro líquido ajustado de R$ 20,7 bilhões em 2025, queda de 45,4% em relação ao ano anterior, pressionado pela inadimplência no agronegócio, que saltou de 2,23% para 6,09%.
Já o Banco de Brasília (BRB), que teve a proposta de aquisição do Master vetada pelo BC em setembro, enfrenta exposição direta ao caso. Segundo depoimento do diretor de Fiscalização do BC à Polícia Federal, as provisões do BRB para cobrir operações com o Master podem chegar a R$ 5 bilhões.

Após receber o relatório, o ministro Jhonatan de Jesus deverá analisar o documento antes de encaminhá-lo ao plenário do TCU. A estimativa é que o voto seja imediato em até 40 dias. O processo permanece em sigilo e o tribunal eleva o nível de confidencialidade dos documentos para evitar vazamentos.
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