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PF investiga previdência do Amapá por R$ 400 mi no Banco Master.

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (6) a Operação Zona Cinzenta, cumprindo quatro mandados de busca e apreensão em Macapá para investigar possíveis irregularidades nos investimentos da Amapá Previdência (Amprev) no Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. A ação apura suspeitas de gestão temerária e gestão fraudulenta na aplicação de aproximadamente R$ 400 milhões em letras financeiras da instituição comandada por Daniel Vorcaro, que não contam com proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

A investigação mira o diretor-presidente da Amprev, Jocildo Silva Lemos, e dois membros do comitê de investimentos, que teriam sido responsáveis pelos votos favoráveis às aplicações em três reuniões realizadas em julho de 2024. Lemos foi indicado ao cargo pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de quem foi tesoureiro de campanha em 2022.

Conexões políticas sob escrutínio

O caso evidencia os laços entre a Amprev e o presidente do Senado. Além de Lemos, o irmão de Alcolumbre, o advogado Alberto Samuel Alcolumbre Tobelem, integra o Conselho Fiscal da autarquia desde agosto de 2025, também por indicação do senador. Alberto Alcolumbre, porém, não foi alvo das diligências desta sexta.

De acordo com atas obtidas pelo Estadão e divulgadas em novembro de 2025, Lemos ignorou alertas formais de dois conselheiros — Alexandre Flávio Monteiro e Gláucio Bezerra — sobre os riscos dos investimentos no Master. Na ocasião, os conselheiros apontaram concentração excessiva de recursos e risco reputacional, mas Lemos minimizou as preocupações, classificando as notícias negativas sobre o banco como “conversas, pois não há nada concreto”.

Amprev se diz “lesada”

Em nota, a Amprev afirmou que “se sente lesada pelos maus feitos do Banco Master e não abre mão de ser ressarcida”. A autarquia alegou que os investimentos foram validados pelo Banco Central e representam 4,7% do patrimônio total do fundo. A instituição informou ter conseguido na Justiça o bloqueio de pagamentos ao banco.

Uma coletiva de imprensa com Jocildo Lemos estava marcada para as 11h desta sexta, mas foi cancelada. Minutos depois, a PF retornou à sede da Amprev para novas diligências.

A operação no Amapá é um desdobramento da Operação Compliance Zero e ocorre poucos dias após a prisão do ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, investigado por aplicações de quase R$ 1 bilhão no mesmo banco. A Amprev é o segundo maior fundo de previdência exposto ao Master, atrás apenas do fundo fluminense.

#AmapáPrevidência #pf #bancomaster

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