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Startup baiana nega fornecer dados militares à China após acusação dos EUA.

A startup brasileira Alya Nanossatélites negou nesta quinta-feira (5) fornecer dados ao governo chinês para fins militares, após ser citada em um relatório do Congresso dos Estados Unidos que acusa a China de operar uma rede de instalações espaciais na América Latina com potencial uso bélico. Ao G1, a CEO da empresa, Aila Raquel, afirmou que a companhia tem fins “apenas civis e comerciais” e se limita a oferecer registros por satélite do território brasileiro para “monitoramentos ambientais, respostas a desastres naturais e gestão territorial”.

O documento, intitulado “Pulling Latin America into China’s Orbit” (“Atraindo a América Latina para a Órbita da China”), foi divulgado em 26 de fevereiro pelo Comitê Seleto sobre a China da Câmara dos Representantes dos EUA. O relatório identifica pelo menos 11 instalações ligadas à China em cinco países latino-americanos — Argentina, Venezuela, Bolívia, Chile e Brasil — que, segundo os parlamentares americanos, formariam “uma rede integrada de dupla utilização”.

Instalações no Brasil

Duas das instalações citadas no relatório ficam em território brasileiro. A principal preocupação dos congressistas americanos é a chamada Tucano Ground Station, na Bahia, fruto de um acordo firmado em 2020 entre a Alya Nanossatélites e a empresa chinesa Beijing Tianlian Space Technology, ligada ao programa espacial chinês. O documento aponta que a localização exata da estação é desconhecida e destaca com preocupação a participação da Força Aérea Brasileira no projeto, por meio de um memorando para treinamento de militares em simulação orbital.

Segundo o relatório, “ao sintetizar dados hiperespectrais da Alya com sua própria rede de informações, a China poderia desenvolver uma capacidade de vigilância que pode identificar ativos militares camuflados e rastrear objetos espaciais estrangeiros em tempo real”.

Radiotelescópio na Paraíba também é citado

O documento menciona ainda o Laboratório Conjunto China-Brasil para Radioastronomia, na Serra do Urubu, no sertão da Paraíba, resultado de parceria firmada em 2025 entre o China Electric Science and Technology Network Communication Research Institute e as universidades federais de Campina Grande (UFCG) e da Paraíba (UFPB). O local abrigará o Radiotelescópio BINGO, projeto científico internacional liderado pela Universidade de São Paulo com colaboração de pesquisadores de China, Reino Unido, França, África do Sul, Suíça e Alemanha.

Especialistas brasileiros destacam que o BINGO é voltado exclusivamente à pesquisa cosmológica, sem qualquer caráter militar. O secretário de Ciência e Tecnologia da Paraíba, Claudio Furtado, classificou as acusações como “completamente fora da realidade” e informou que o governo estadual aguarda posicionamento do Itamaraty.

Contexto geopolítico

O relatório reflete a postura do governo de Donald Trump em relação à presença chinesa no continente. O presidente do Comitê Seleto, John Moolenaar, afirmou que “a China está investindo em operações espaciais na América Latina apenas para promover sua agenda e minar a presença dos Estados Unidos no espaço”. Entre as recomendações, o documento pede que Washington busque “eliminar as capacidades espaciais da China no Hemisfério Ocidental”. No Brasil, a Câmara dos Deputados já requereu explicações ao Ministério da Defesa sobre o programa.

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