O setor asiático de robótica humanoide está deixando os concorrentes ocidentais para trás no processo de levar máquinas dos salões de feiras para as linhas de produção, redes elétricas e pistas de aeroportos — uma disparidade que analistas atribuem à política industrial apoiada pelo Estado chinês e ao foco implacável em implantação com custo eficiente.

Das Demos às Fábricas
A CATL, maior fabricante de baterias para veículos elétricos do mundo, iniciou o que chamou de primeiro grande deploy em escala mundial de robôs humanoides em sua base de produção Zhongzhou, em Luoyang, na província de Henan, em dezembro de 2025. Os robôs, desenvolvidos pela startup Spirit AI e batizados de “Xiaomo”, conectam plugues de alta tensão na linha de montagem — uma tarefa historicamente considerada um risco de segurança para os trabalhadores humanos. Alimentadas por um modelo de IA de visão-linguagem-ação, as máquinas atingem 99% de taxa de sucesso nas conexões e triplicam a carga de trabalho diária de um operador humano, pois não precisam de pausas.
A State Grid Corporation da China foi ainda mais longe. Segundo o South China Morning Post, a estatal destinou 6,8 bilhões de yuans (cerca de US$ 1 bilhão) para a aquisição de aproximadamente 8.500 robôs habilitados com IA em 2026, a serem implantados em 26 regiões para inspeção de linhas de transmissão, manutenção em linhas energizadas, resgate de emergência e logística. O valor sobe para mais de US$ 1,46 bilhão quando incluídas as contribuições da China Southern Power Grid.
O Japão Entra na Corrida
A Japan Airlines anunciou em 28 de abril que fará um teste com robôs humanoides para o manuseio de bagagens e cargas no Aeroporto de Haneda, em Tóquio, a partir de maio, em parceria com a GMO AI & Robotics. Os robôs — modelos Unitree G1, fabricados em Hangzhou — têm 130 centímetros de altura e foram projetados para circular nos espaços apertados das aeronaves sem a necessidade de reformas custosas nas instalações. O projeto-piloto de dois anos busca solucionar a grave escassez de mão de obra na aviação japonesa, impulsionada pelo envelhecimento da população e por um aumento recorde no turismo receptivo.
Atenção dos Investidores e a Disparidade de Avaliação
A Reuters noticiou em 4 de maio que a Linkerbot, sediada em Pequim e que afirma deter mais de 80% do mercado global de mãos robóticas com alto grau de liberdade, buscará uma avaliação de US$ 6 bilhões em sua próxima rodada de captação — o dobro do valor de uma rodada recém-encerrada com apoio do Ant Group, do, e de fundos estatais. A empresa planeja escalar a produção para 10.000 unidades de mãos por mês, ante as quase 5.000 atuais.
O contraste com as avaliações americanas é gritante. A CNBC reportou em abril que a empresa americana de robôs humanoides Figure tem uma avaliação de pelo menos US$ 39 bilhões, apesar de entregar um número muito menor de unidades; no ranking global de remessas de 2025 da firma de pesquisa Omdia, startups chinesas ocuparam as seis primeiras posições. Andreas Brauchle, da consultoria Horváth, resumiu a dinâmica: “A China atualmente lidera os Estados Unidos na comercialização inicial de robôs humanoides. Embora se espere que ambos os países desenvolvam mercados igualmente grandes ao longo do tempo, a China está escalando mais rapidamente nesta fase inicial.”
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