A Apple está preparando os consumidores para uma era de iPhones mais caros. Poucos dias após a empresa aumentar os preços em até 20% em toda a linha de Macs e iPads, em 25 de junho, analistas já alertam que o iPhone 18 Pro e o primeiro iPhone dobrável da Apple poderão ser lançados em setembro com preços bem acima dos modelos atuais, impulsionados por uma escassez global de memória que abalou a indústria de eletrônicos de consumo.

A Perspectiva de Preços
O IDC inicialmente previa um aumento de US$ 100 para o iPhone 18 Pro e Pro Max, mas após os reajustes de preços do Mac e do iPad da Apple, a empresa agora espera aumentos de até US$ 200. O The Wall Street Journal estimou que o iPhone 18 Pro pode começar em US$ 1.399, ante os US$ 1.099 do iPhone 17 Pro. Isso colocaria o iPhone 18 Pro Max na faixa de US$ 1.300 a US$ 1.400. O J.P. Morgan ofereceu uma previsão mais conservadora, de aumentos entre US$ 50 e US$ 100, argumentando que a Apple usará medidas de redução de custos — como o modem desenvolvido internamente — para absorver parte do impacto.
O iPhone dobrável, com lançamento previsto junto com os modelos Pro neste outono (nos EUA), deve ultrapassar US$ 2.000. Mark Gurman, da Bloomberg, relatou que o aparelho irá “cruzar a marca dos US$ 2.000”, enquanto Ming-Chi Kuo acredita que o preço pode superar US$ 2.500. O dispositivo se tornaria o iPhone mais caro já comercializado.
Uma Crise de Memória Remodelando o Hardware
A pressão sobre os preços decorre de uma escassez global de DRAM e NAND causada pelo consumo de capacidade de memória pelos data centers de IA — capacidade que antes atendia dispositivos para consumidores. O CEO Tim Cook descreveu a situação como uma “enchente que ocorre uma vez por século” em uma entrevista ao Wall Street Journal. A Counterpoint Research estima que os custos mais altos de componentes podem adicionar cerca de US$ 200 por iPhone, enquanto o custo de materiais dos smartphones em geral aumentou de 20% a 30% desde o início de 2025.
Kuo também informou que os modelos mais básicos do iPhone 18, esperados para a próxima primavera, serão lançados com 9 GB de RAM usando uma configuração de chip 1,5 GB x 6 — um aumento em relação aos 8 GB dos modelos atuais, mas abaixo dos 12 GB que alguns analistas haviam previsto anteriormente. O iPhone 18 Pro, Pro Max e o modelo dobrável manterão 12 GB.
O Equilíbrio Difícil da Apple
A posição da Apple é complicada por seu histórico de buscar isenções tarifárias junto ao governo Trump. A empresa conseguiu isenções sobre os iPhones das tarifas recíprocas em 2025, após se comprometer com US$ 600 bilhões em investimentos nos EUA. Agora, enfrentando aumentos de custos impulsionados pela memória — e não por tarifas —, a Apple tem menos recursos à disposição. Os reajustes de preço anunciados em 25 de junho para Macs, iPads e dispositivos domésticos — com aumentos que variam de US$ 100 no MacBook Neo a US$ 1.300 no Mac Studio Ultra — fizeram as ações caírem 6% em uma única sessão.
Se a Apple conseguirá conter os aumentos de preço do iPhone para proteger seu maior motor de receita é a questão central às vésperas do lançamento de setembro.
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