O governo federal voltou a discutir a possibilidade de revogar a chamada “taxa das blusinhas”, o Imposto de Importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, em um movimento que ganha força no cenário eleitoral de 2026. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou na segunda-feira (30) que o impacto fiscal de uma eventual extinção da cobrança seria baixo, sinalizando abertura para o debate.
“Em relação à taxa das blusinhas, com ou sem, isso não dá um grande impacto no orçamento, estamos falando de uma arrecadação que, no ano passado, deu quase R$ 2 bilhões”, declarou Tebet, segundo o Metrópoles. A ministra ressaltou, porém, que o tema não foi tratado internamente no governo nem na Junta de Execução Orçamentária, e que a discussão deve ocorrer no Congresso Nacional.
Pressão eleitoral e rejeição popular
A reavaliação da taxa é impulsionada pela forte rejeição popular à medida. Pesquisa da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, divulgada na semana passada, aponta que 62% dos brasileiros consideram a taxa um erro do governo, contra apenas 30% que a veem como acerto. Segundo a Folha de Pernambuco, o movimento é liderado pela ala política do Planalto, especialmente o ministro Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação, diante da preocupação com a estagnação da popularidade de Lula nas pesquisas.
Discute-se até a possibilidade de edição de uma medida provisória para encerrar a cobrança, embora a discussão ainda não envolva formalmente o Ministério da Fazenda.
Setor têxtil reage com preocupação
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX) classificaram a possível extinção da taxa como um “grave retrocesso” para a indústria e o varejo nacionais. Em nota divulgada nesta segunda-feira, as entidades afirmaram que a tributação, em vigor desde agosto de 2024, buscou corrigir uma distorção histórica de concorrência desleal com produtos importados.
“A eventual eliminação dessa tributação recolocaria o Brasil em uma situação de desequilíbrio competitivo”, alertaram as associações, segundo o InfoMoney. As entidades argumentaram que o debate não deveria ser conduzido sob uma ótica de curto prazo e que o foco deveria estar na redução do custo sistêmico da produção nacional, e não na diminuição de tributos sobre importados.
Cenário fiscal e próximos passos
De acordo com dados da CNN Brasil, a arrecadação federal com a taxa das blusinhas dobrou em 2025, passando de R$ 2,88 bilhões em 2024 para R$ 5 bilhões. Ainda assim, Tebet avaliou que o cenário fiscal atual é mais confortável do que quando a taxação foi implementada, o que tornaria a perda de receita administrável. A decisão final dependerá do avanço das discussões no Congresso e do cálculo político do governo em ano de eleição presidencial.
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