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Bancos e BC buscam aplicar o compulsório e recompor o FGC.

As instituições financeiras brasileiras estão em diálogo com o Banco Central para destinar parte dos depósitos compulsórios à recomposição da caixa do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), após as liquidações do Banco Master e do Will Bank consumiram quase R$ 47 bilhões do fundo. A proposta surge como alternativa para diluir o impacto sobre os bancos e evitar o encarecimento do crédito, segundo reportagens do Valor Econômico e da Folha de S.Paulo.

O compulsório é uma parcela dos depósitos que cada banco deve obrigatoriamente manter retido no BC. A discussão envolve a liberação de parte desses recursos para que as instituições antecipam cinco anos de contribuições ao FGC, totalizando cerca de R$ 30 bilhões. Os pagamentos foram feitos ainda no início de 2026, e uma contribuição adicional extraordinária de 50% dos depósitos regulares está em discussão caso necessário.

Impacto Bilionário no Sistema.

De acordo com a agência de classificação de risco Moody’s, o desenho combinado para ressarcer clientes do Master e do Will Bank pode exigir aportes extras de até R$ 55 bilhões para que o FGC retorne ao nível mínimo de cobertura de 2,5% dos depósitos segurados. Antes das liquidações, o fundo tinha cerca de R$ 122 bilhões na caixa disponível.

O Banco Master foi liquidado pelo BC em novembro de 2025, com estimativa de ressarcimento de R$ 40,6 bilhões para cerca de 1,6 milhão de credores. O Will Bank, braço digital da Master, teve liquidação decretada em 21 de janeiro de 2026 após descumprir compromissos com a Mastercard, adicionando R$ 6,3 bilhões à conta.

A Moody’s avalia que os seis maiores bancos do país — Itaú, Bradesco, Santander, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e BTG — concentram aproximadamente 75% dos depósitos elegíveis à garantia e responderiam pela maior parte da recomposição.

Alternativa para Evitar Pressão no Crédito

A utilização de compulsórios para promover o FGC não é inédita. Estratégia semelhante foi adotada durante a crise financeira global de 2008, quando a redução do compulsório ajudou a fortalecer o fundo sem provocar contração abrupta na oferta de crédito. No fim de 2024, o estoque total de compulsórios somava R$ 670,5 bilhões.

Participaram das conversas representantes da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Acrefi, Zetta, além do próprio FGC e do BC. A expectativa é que uma solução seja desenhada até o fim de fevereiro.

A Moody’s calcula que a retirada de R$ 55 bilhões do sistema, com a Selic em torno de 15%, poderia gerar impacto anual superior a R$ 8 bilhões na receita líquida de juros dos bancos. A agência, porém, afirma que os símbolos são “administráveis” e não representam riscos sistêmicos para o mercado.

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