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Morgan Stanley evita títulos do Brasil e da Colômbia em meio a problemas fiscais.

A Morgan Stanley Investment Management está evitando títulos públicos locais do Brasil e da Colômbia, uma vez que déficits orçamentários crescentes aumentam as preocupações antes das eleições presidenciais em ambos os países neste ano.

Patrick Campbell, gestor de portfólio de dívida de mercados emergentes da empresa, tem renunciado aos altos rendimentos dos títulos públicos porque a direção das políticas em ambos os países — governados por presidentes de esquerda — é “bem ruim”, de acordo com uma reportagem da Bloomberg.

Pressão Fiscal nas Maiores Economias da América Latina

A decisão ocorre em meio à deterioração das condições fiscais em ambos os países. O déficit orçamentário nominal do Brasil aumentou para R$ 101,6 bilhões em novembro de 2025, com o déficit acumulado em 12 meses atingindo R$ 1,03 trilhão, equivalente a 8,13% do PIB, segundo o Banco Central do Brasil. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem enfrentado dificuldades para cumprir as regras fiscais que criou há três anos, com parlamentares aprovando em dezembro um orçamento para 2026 que, segundo analistas, irá tensionar ainda mais esses marcos.​

A taxa Selic de referência do Brasil permanece em 15% — entre as mais altas do mundo — enquanto o banco central mantém uma postura restritiva para combater a inflação que está acima da meta de 3%.​

Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro declarou emergência econômica de 30 dias no final de dezembro após o Congresso rejeitar sua reforma tributária pela segunda vez, deixando uma lacuna de US$ 4,2 bilhões no orçamento de 2026. A medida concede a Petro poderes extraordinários para impor novos impostos direcionados aos cidadãos mais ricos, embora tenha recebido fortes críticas da oposição e de grupos empresariais por ser considerada um abuso constitucional. O governo também decretou neste mês um aumento de 23% no salário mínimo que está causando efeitos em cascata na economia, segundo a Bloomberg.​

Incerteza Eleitoral no Horizonte

Ambos os países enfrentam eleições decisivas este ano. O Brasil realizará eleições gerais em 4 de outubro de 2026, com pesquisas mostrando Lula mantendo vantagem sobre o desafiante de direita, o senador Flávio Bolsonaro, cuja candidatura foi endossada por seu pai Jair em dezembro. A eleição presidencial da Colômbia está marcada para 31 de maio, com o senador progressista Iván Cepeda liderando as pesquisas após vencer a prévia do Pacto Histórico em outubro.​

A perspectiva mais ampla do Morgan Stanley sugere que essas eleições podem marcar um ponto de virada. A análise da instituição indica que os votos no Chile, Colômbia e Brasil “podem impulsionar mudanças políticas em direção a um caminho mais favorável ao mercado e ortodoxo”. O Chile já passou por uma mudança dramática, elegendo o candidato de extrema-direita José Antonio Kast em dezembro com 58,2% dos votos.

Visões Divergentes sobre Mercados Emergentes

Apesar de sua cautela com a dívida local do Brasil e da Colômbia, o Morgan Stanley permanece otimista em relação a certas oportunidades em mercados emergentes. A instituição espera que o banco central do Brasil reduza as taxas de juros em um total acumulado de 350 pontos-base este ano, embora a política monetária restritiva continue pesando sobre os balanços das empresas locais. De acordo com a RBC Global Asset Management, 31% das empresas brasileiras estavam atrasadas no pagamento de empréstimos em meados de 2025 devido aos custos elevados de financiamento.

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