Lula critica corte da Selic e cobra governadores sobre ICMS do diesel.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom nesta quinta-feira (19) contra os governadores que ainda resistem a reduzir o ICMS sobre os combustíveis e, em tom de desabafo, criticou a decisão do Banco Central de cortar a taxa Selic em apenas 0,25 ponto percentual. Ambas as cobranças foram feitas durante a abertura da 17ª Caravana Federativa, em São Paulo, em meio à escalada da crise provocada pela guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que já empurrou o preço do petróleo para perto de US$ 100 o barril.
“Eu esperava que o nosso Banco Central abaixasse os juros em pelo menos 0,5%. E abaixou só 0,25% dizendo que é por causa da guerra. Porra, essa guerra até no nosso Banco Central?”, declarou Lula. Na véspera, o Comitê de Política Monetária (Copom) havia reduzido a Selic de 15% para 14,75% ao ano, a primeira queda desde maio de 2024. No comunicado, o Banco Central citou repetidamente os conflitos no Oriente Médio como fonte de incerteza e justificativa para a cautela.
Pressão sobre os estados
No mesmo evento, Lula reforçou o apelo para que os governadores zerem o ICMS sobre os combustíveis. “Os governadores poderiam fazer uma isenção do ICMS para não permitir o aumento. Nós temos que fazer um sacrifício para tentar evitar que essa guerra do Irã chegue ao prato do feijão com arroz do povo brasileiro”, afirmou. O presidente propôs que a União cubra metade das perdas de arrecadação dos estados com a isenção.
Na semana anterior, o governo já havia zerado PIS e Cofins sobre o diesel e criado um subsídio de R$ 0,32 por litro, com custo estimado em R$ 30 bilhões até o fim de 2026. Apesar disso, o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) rejeitou inicialmente o pedido, argumentando que cortes no ICMS “não costumam ser repassados ao consumidor final” e comprometeriam o financiamento de políticas públicas. Após reunião conduzida pelo secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, a proposta ganhou novo formato: zerar o ICMS sobre a importação de diesel até o fim de maio, com compensação de 50% pela União. Segundo o Correio Braziliense, 20 estados e o Distrito Federal já sinalizaram adesão, mas São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Amazonas, Mato Grosso e Alagoas ainda não se posicionaram. A decisão final está marcada para o dia 28 de março.
Troca na Fazenda e contexto eleitoral
As declarações de Lula ocorreram no mesmo dia em que Fernando Haddad oficializou sua saída do Ministério da Fazenda para disputar o governo de São Paulo, sendo substituído por Durigan. A troca adiciona um componente eleitoral à crise: com Haddad candidato e Lula buscando reeleição, o governo precisa evitar que a alta dos combustíveis contamine o preço dos alimentos e alimente o descontentamento popular. O Planalto também tenta conter uma ameaça de greve de caminhoneiros provocada pela escalada do diesel.
A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, já praticamente fechou o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. Nesta semana, o conflito ganhou nova escalada com o bombardeio israelense ao campo de gás de South Pars, no território iraniano.
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