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BC diz que liquidação do Master não gerou efeitos sistêmicos.

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O Banco Central divulgou nesta quinta-feira (19) a ata da reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), realizada nos dias 11 e 12 de março, na qual concluiu que a liquidação extrajudicial de instituições do Conglomerado Master não provocou impactos sistêmicos no Sistema Financeiro Nacional (SFN). “A liquidação extrajudicial de instituições integrantes do Conglomerado Master não gerou efeitos sistêmicos no âmbito do SFN”, registrou o documento.

O colegiado destacou que os mecanismos de proteção ligados ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foram acionados conforme o modelo institucional vigente, “evidenciando a capacidade de absorção de choques e a resiliência do sistema financeiro”.

​Nove instituições liquidadas e o custo bilionário

Desde novembro de 2025, quando o BC decretou a liquidação do Banco Master e de outras três instituições do grupo, o número de entidades retiradas do mercado chegou a nove. A mais recente foi o Banco Master Múltiplo, liquidado na terça-feira (17), após o fim do Regime de Administração Especial Temporária (Raet) que vigorava desde novembro.

O grupo Master, classificado pelo BC como de porte pequeno, representava apenas 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do SFN. Ainda assim, o acionamento do FGC atingiu proporções inéditas: as liquidações do conglomerado estão consumindo R$ 51,8 bilhões em pagamentos a clientes e investidores afetados, segundo estimativas do próprio fundo. Para recompor o caixa do FGC, o BC publicou no início de março uma resolução que permite o uso de depósitos compulsórios para antecipar contribuições dos bancos, com potencial de injetar cerca de R$ 30 bilhões ao longo de 2026.

Alerta para o cenário externo e riscos no crédito

Apesar da avaliação positiva sobre a resiliência doméstica, o Comef alertou que o cenário global “segue apresentando riscos que podem levar à materialização de cenários de reprecificação de ativos financeiros globais”. A ata aponta que incertezas associadas a eventos geopolíticos e aos seus impactos sobre crescimento e inflação se intensificaram desde a última reunião.

No plano interno, o BC destacou que juros elevados e o endividamento de famílias e empresas seguem pressionando o mercado de crédito. “Esse cenário requer cautela e diligência adicionais no mercado de crédito”, afirmou o documento. O colegiado também chamou atenção para o crescimento do mercado de capitais em relação ao crédito bancário, o que amplia fontes de financiamento mas torna a avaliação de riscos mais complexa.

#bcb #sfn #casomaster

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