Santander projeta 400 mil novos investidores em FIIs em 2026.

O mercado brasileiro de fundos de investimento imobiliário pode ganhar cerca de 400 mil novos cotistas ao longo de 2026, segundo projeção do Santander. A estimativa, atribuída ao analista Flávio Pires, elevaria o total de investidores em FIIs para aproximadamente 3,5 milhões, impulsionado pela expectativa de queda da taxa Selic e pela busca crescente por renda passiva.
Os primeiros meses do ano já sinalizam esse movimento. Entre janeiro e fevereiro, 113 mil novos investidores ingressaram no segmento, segundo o banco. Dados da B3 divulgados na última semana mostram que a base de cotistas atingiu 3,07 milhões em fevereiro de 2026, novo recorde histórico, ante 2,96 milhões no encerramento de 2025. O patrimônio total dos FIIs com posição em custódia se aproximou de R$ 200 bilhões, com 432 fundos listados para negociação.
Queda de juros como catalisador
O principal motor do otimismo é a trajetória esperada da Selic. Projeções do próprio Santander apontam a taxa básica de juros em 12% ao fim de 2026, ante os 15% atuais. Com juros menores, ativos de renda variável como os FIIs tendem a se tornar mais atrativos frente à renda fixa, atraindo capital de investidores pessoa física — que já representam 72,9% do patrimônio alocado no segmento.
O Ifix, principal índice do setor, encerrou 2025 com valorização de 21,15%, o melhor desempenho desde 2019. Em entrevista à Exame Invest no início do ano, Pires afirmou que espera “um ano tão bom como foi 2025 de performance para os FIIs”, destacando que fundos ainda negociam com descontos relevantes em relação ao valor patrimonial.
Composição de carteira e riscos
O Santander recomenda uma alocação de aproximadamente 60% em fundos de tijolo e 40% em fundos de papel para o cenário atual. Os setores apontados como mais promissores incluem galpões logísticos, shopping centers e renda urbana — como supermercados, hospitais e laboratórios. Fundos de papel, lastreados em recebíveis imobiliários, também mantêm espaço na carteira pelo retorno mensal elevado.
O principal fator de risco permanece o cenário macroeconômico. Caso a trajetória de queda dos juros se mostre mais lenta do que o esperado, a performance dos FIIs pode ficar contida. Para Arthur Vieira de Moraes, especialista em FIIs e colunista do Bora Investir, a recuperação depende não apenas da Selic, mas das taxas de longo prazo: “Não só a Selic, que parece que está caminhando para uma queda com a inflação mais controlada, mas também as taxas de longo prazo, lá do Tesouro IPCA+”.
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