Finanças

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Lula defende comércio em moedas locais e nega moeda do BRICS.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (20) que o comércio bilateral entre Brasil e Índia não precisa ser feito em dólar e planejado o uso das moedas nacionais dos dois países. A declaração foi dada durante entrevista exclusiva à emissora indiana India Today, em Nova Délhi, onde Lula cumpre visita de Estado a convite do primeiro-ministro Narendra Modi.

“Não é necessário que um acordo comercial entre a Índia e o Brasil seja feito com dólares americanos. Podemos usar nossas próprias moedas. É difícil, mas podemos tentar”, disse Lula, acrescentando que “ninguém precisa depender do dólar, mas não se pode desfazer esse sistema da noite para o dia”. Na entrevista, o presidente brasileiro rechaçou as mesmas especulações sobre a criação de uma moeda comum do BRICS, afirmando que “ninguém propôs criar uma moeda do BRICS” e que “não há debate dentro do BRICS para criar uma nova moeda”.

​Cooperação agrícola e meta de US$ 30 bilhões

Lula declarou que a ambição é elevar o comércio bilateral para US$ 30 a 40 bilhões, patamar que dobraria os números atuais. Em 2025, o intercâmbio comercial entre os dois países alcançou US$ 15,2 bilhões, crescimento de 25% em relação ao ano anterior, com exportações brasileiras registra de US$ 6,9 bilhões.

Na área agrícola, os ministros Carlos Fávaro (Agricultura) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) reuniram-se na sexta-feira com o ministro indiano da Agricultura, Shivraj Singh Chouhan, e anunciaram avanços nas negociações. Segundo Fávaro, o Brasil está abrindo mercado para romã e noz macadâmia indiana, enquanto busca acesso para feijão-guandu, carne de frango e erva-mate no mercado indiano. Os dois países também discutiram cooperação em bioinsumos, mecanização agrícola e inteligência artificial aplicada ao campo.

Maior delegação empresarial e novos acordos

A visita de Lula à Índia é acompanhada pela maior delegação empresarial brasileira já enviada ao exterior, com mais de 260 empresas e cerca de 14 ministros. Na sexta-feira foi inaugurado o escritório da ApexBrasil em Nova Délhi, o primeiro da agência na Índia. O Fórum Empresarial Brasil-Índia 2026 está previsto para o dia 21 de fevereiro, mesmo dia da reunião bilateral entre Lula e Modi.

Durante entrevista, Lula também anunciou que a Embraer abrirá uma fábrica na Índia, em parceria com o grupo Adani, para produção de aeronaves. A visita ocorre num contexto de reconfiguração das cadeias globais de comércio, com as medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos sob o governo Donald Trump empurrando países emergentes para diversificar seus parceiros comerciais. Lula segue para a Coreia do Sul no dia 22 de fevereiro.

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