Pix deve dominar metade do e-commerce brasileiro até 2028, aponta estudo.

O sistema de pagamento instantâneo brasileiro Pix deve capturar metade das transações de e-commerce do país até 2028, ampliando sua vantagem sobre os cartões de crédito naquele momento que historicamente tem sido um reduto de pagamentos com cartão, de acordo com um novo estudo divulgado na segunda-feira pela empresa de pagamentos Ebanx.
A projeção reforça a ascensão contínua da plataforma operada pelo Banco Central, que transformou a forma como a maior economia da América Latina em realizar transações financeiras desde seu lançamento no final de 2020. No ano passado, o Pix respondeu por 42% das compras online do Brasil, superando os cartões de crédito, que ficaram com 41%, segundo dados da Payments and Commerce Market Intelligence (PCMI) divulgados pela Ebanx.
Pagamentos Recorrentes Impulsionam o Crescimento
A introdução pelo banco central do Pix Automático, uma funcionalidade de pagamentos recorrentes que entrou em operação em junho de 2025, acelerou a expansão da plataforma para além de suas origens em transferências entre pessoas. Os pagamentos de consumidores para empresas agora representam a maior categoria de transações do Pix por volume. Em janeiro, esses pagamentos representaram 46% de todas as transações do Pix, em comparação com 40% das transferências entre pessoas.
“Houve muita construção de confiança entre os consumidores em relação ao Pix, combinada com uma disponibilidade mais ampla nos sites”, disse Eduardo de Abreu, diretor de produtos da Ebanx.
A Ebanx projeta que a participação do Pix nas transações online chegará a 45% até o final deste ano e crescerá para 50% até 2028, quando sua vantagem sobre os cartões de crédito deverá aumentar para 14 pontos percentuais.
Pressão sobre os Gigantes de Cartões
A expansão do sistema de pagamentos tem como base os volumes de transações com cartões dominados pela Mastercard e Visa. Em 2023, o Pix superou o volume combinado de transações com cartões de crédito e débito, embora em valor ainda seja o segundo colocado, atrás das transferências interbancárias tradicionais, geralmente utilizadas para transações de grande porte.
A plataforma também atraiu a atenção de Washington no ano passado em uma investigação da Seção 301, que examinou o que as autoridades americanas descreveram como práticas comerciais potencialmente desleais, questionando o papel duplo do banco central como operador e regulador. O Banco Central do Brasil manteve que atua como um provedor neutro de infraestrutura digital pública, apontando para os mais de 70 milhões de pessoas que ingressaram no sistema financeiro desde o lançamento do Pix.

Cartões de Crédito Mantêm Base Fiel
Apesar da rápida ascensão do Pix, de Abreu afirmou que os cartões de crédito provavelmente manterão uma base de clientes dedicada à cultura enraizada no Brasil de parcelamento sem juros, especialmente para produtos de maior valor, mesmo quando os comerciantes oferecem descontos para pagamento imediato via Pix.
“Os descontos são atrativos e fazem sentido matemático. Mas as pessoas olham e pensam: mesmo com o desconto, eu não posso pagar tudo neste mês”, disse ele. “O parcelamento atende cada vez mais ao segmento da população que realmente precisa dessa flexibilidade de fluxo de caixa.”
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