O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) respondeu ao pedido de empréstimo de R$ 4 bilhões feito pelo ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, para socorrer o Banco de Brasília (BRB). Segundo documento obtido pela revista Veja nesta terça-feira (31), o fundo orientou o representante do BRB a dar continuidade à etapa preliminar dos procedimentos de concessão do crédito. “Orientamos o representante do BRB a dar continuidade à etapa prévia dos procedimentos, caso o banco tenha interesse em prosseguir com o empréstimo”, afirma o FGC no documento.
A resposta chega no mesmo dia em que expira o prazo do Banco Central para que o BRB apresente o balanço consolidado de 2025 e um plano concreto para equacionar seus problemas de capital. O banco pediu extensão do prazo até junho, mas até a manhã desta terça não havia confirmação do BC sobre uma eventual prorrogação. Executivos do BRB marcaram reunião com o BC para as 17h desta terça-feira, numa tentativa de evitar uma intervenção.
Origem da crise
O BRB enfrenta dificuldades desde operações malsucedidas com o Banco Master, liquidado em setembro de 2025. Investigações indicam que a fraude envolve cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito inexistentes compradas pelo BRB ao Master, segundo a CNN Brasil. A necessidade total de provisões do banco gira em torno de R$ 8,8 bilhões, mas uma auditoria forense independente estima impacto de até R$ 13,3 bilhões.
O pedido de empréstimo foi formalizado por carta assinada por Ibaneis Rocha em 24 de março, conforme revelou a Folha de S.Paulo. A proposta prevê carência de um ano e seis meses para o início dos pagamentos, com parcelas semestrais e remuneração pelo CDI acrescido de spread. Como garantias, o GDF ofereceu participações acionárias em empresas públicas — Caesb, CEB e o próprio BRB — além de nove imóveis públicos autorizados por lei sancionada em 10 de março.
Próximos passos e obstáculos
O empréstimo pode não ser suficiente. Fontes consultadas pelo Estadão indicam que a necessidade do BRB chega a R$ 8 bilhões. O FGC, por sua vez, já sinalizou que avalia assumir apenas uma parcela restrita do crédito, dividindo o risco com um consórcio de bancos privados. Além disso, parte das garantias imobiliárias enfrenta questionamentos judiciais — a Justiça do DF suspendeu o uso da área conhecida como Serrinha do Paranoá como garantia.
O governo do DF informou que está preparando documentação adicional para enviar ao fundo, incluindo plano de negócios, plano de capital, diagnóstico financeiro e proposta detalhada de garantias. O processo permanece em fase inicial, e a concessão efetiva do crédito depende ainda de negociações sobre valor, prazos e estrutura da operação.
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