Documentos revelam como BC aprovou compra que deu origem ao Master.

Documentos revelam como BC aprovou compra que deu origem ao Master.

Documentos obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação revelam que o Banco Central do Brasil rejeitou por unanimidade, em fevereiro de 2019, a transferência de controle do Banco Máxima para o empresário Daniel Vorcaro — apenas para aprovar a mesma operação, também por unanimidade, oito meses depois, em outubro do mesmo ano. A reviravolta regulatória que deu origem ao Banco Master, hoje liquidado e no centro de um dos maiores escândalos financeiros do país, ganha novos contornos à medida que investigações avançam sobre a relação entre Vorcaro e servidores da autarquia.

Uma porta que se abriu na troca de comando

Em 13 de fevereiro de 2019, ainda na gestão de Ilan Goldfajn, a diretoria colegiada do BC vetou a operação porque Vorcaro e seus sócios não conseguiram demonstrar a origem dos recursos nem a capacidade econômica necessária para assumir uma instituição financeira. A equipe técnica do regulador suspeitou de “circularização” de recursos — ou seja, que o próprio Banco Máxima estivesse financiando a sua própria aquisição. Vorcaro já havia apresentado a chamada “declaração de propósito” ao menos duas vezes desde 2017, sempre sem sucesso.

Em 14 de outubro de 2019, sob a presidência de Roberto Campos Neto, a diretoria aprovou a transferência de controle por unanimidade, entendendo que Vorcaro havia finalmente demonstrado capacidade econômica e comprovado a origem dos recursos. Segundo reportagem do jornal O Tempo, o extrato do voto divulgado pelo BC, porém, não detalha quais recursos foram apresentados nem como as dúvidas anteriores foram sanadas.

Sombras sobre a aprovação

O processo ganhou contornos mais graves com as investigações da Operação Compliance Zero. O ex-diretor de fiscalização do BC Paulo Sérgio Neves de Souza, responsável pela aprovação da compra do Máxima, é apontado pela Polícia Federal como tendo recebido vantagens indevidas de Vorcaro. Segundo o Metrópoles, a declaração de Imposto de Renda de Vorcaro revela R$ 60 milhões transferidos a uma empresa apontada como intermediária nos pagamentos aos servidores. A defesa de Souza nega irregularidades e afirma que a aprovação foi uma “decisão colegiada”.

O preço da omissão

Após assumir o Máxima — rebatizado de Banco Master —, Vorcaro adotou uma estratégia agressiva de captação, chegando a pagar 140% do CDI em CDBs e acumulando cerca de R$ 50 bilhões em depósitos. Em novembro de 2025, o BC decretou a liquidação extrajudicial da instituição e Vorcaro foi preso pela PF no aeroporto de Guarulhos quando tentava embarcar para Malta. Uma fonte ouvida pelo Valor Econômico, citada pela Gazeta do Povo, resumiu: “Teria sido bem mais barato liquidar o Banco Máxima em 2016 ou, no máximo, em 2019”.

#bcb #bancomaster

Comments

No comments yet. Why don’t you start the discussion?

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *