O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou nesta quarta-feira (8) que a autarquia iniciou um processo de “calibração” da taxa Selic, e não um “afrouxamento”, reforçando que o objetivo é manter os juros em território restritivo mesmo diante de uma inflação em queda.
Em participação no 12º Brazil Investment Forum, evento anual promovido pelo Bradesco BBI para investidores domésticos e estrangeiros em São Paulo, David explicou que a convergência da inflação e a queda das expectativas motivaram o início do processo de calibração. “Com a inflação convergindo e as expectativas cadentes, os juros começaram a calibração”, disse.
Política restritiva permanece
David fez questão de distinguir o movimento atual de um ciclo clássico de flexibilização monetária. “Esperamos seguir em território restritivo na política monetária”, afirmou o diretor, segundo a Reuters. Ele também destacou que o nível de incerteza no cenário atual está elevado, citando a guerra no Irã como um dos fatores, mas reforçou que o Banco Central tem convicção de que a política monetária está funcionando.
O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual em março, levando a taxa a 14,75% ao ano, após mantê-la em 15% nas reuniões anteriores. Na ocasião, o comitê não deu indicação clara sobre os próximos passos, defendendo apenas que os juros permaneçam em nível restritivo.
Contexto e perspectivas
A decisão de março marcou o primeiro corte após um longo ciclo de aperto que levou a Selic ao maior patamar em quase duas décadas. Ainda em novembro de 2025, David já havia sinalizado que “o ciclo de alta terminou” e que o próximo passo seria um corte, ressalvando que a questão era “quando”.
O diretor também comentou que a expectativa do BC é de que a atividade econômica cruzará o seu potencial nas próximas semanas. “É natural emprego apertado após um crescimento acima da capacidade”, disse.
A postura cautelosa do Banco Central reflete a tentativa de equilibrar o processo de desinflação com as incertezas externas, mantendo a taxa de juros real em patamar elevado mesmo com os primeiros sinais de alívio nos preços.
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