China ultrapassa EUA como maior parceiro comercial de SP.

China ultrapassa EUA como maior parceiro comercial de SP.

A China ultrapassou os Estados Unidos como principal parceiro comercial do Estado de São Paulo em 2025, consolidando uma reconfiguração dos fluxos de comércio global provocada pela guerra tarifária iniciada pelo governo Donald Trump. Ao mesmo tempo, Pequim busca fortalecer relações com Washington e Bruxelas, sinalizando disposição para cooperação econômica em múltiplas frentes.

São Paulo muda de eixo comercial

Dados da plataforma Comex Stats, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), mostram que a balança comercial paulista com a China atingiu US$ 30,7 bilhões em 2025, ante US$ 27,3 bilhões com os EUA. O volume de negócios com os chineses cresceu 24,2% entre 2024 e 2025, puxado sobretudo por importações de plataformas de petróleo, celulares e herbicidas, que subiram quase 30%. Nos dois primeiros meses de 2026, a tendência se mantém, com a China à frente por US$ 4,1 bilhões contra US$ 3,7 bilhões dos americanos.

No cenário nacional, a corrente de comércio entre Brasil e China fechou 2025 com valor recorde de US$ 171 bilhões, mais que o dobro dos US$ 83 bilhões negociados com os EUA. As exportações brasileiras para os americanos recuaram 6,6% no período, enquanto as vendas para a China se mantiveram aquecidas.

Na quarta-feira (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou o tom de aproximação ao afirmar, durante visita a uma fábrica da Caoa em Anápolis (GO), que “a China é hoje o melhor parceiro do Brasil”. No mesmo dia, o Consulado-Geral da China em São Paulo realizou o lançamento do 15º Plano Quinquenal chinês (2026-2030) em português, com a presença de mais de 100 convidados. O cônsul-geral Yu Peng afirmou que “as economias da China e do Brasil são altamente complementares” e que há “potencial de cooperação imenso”.

Pequim estende a mão a Washington e Bruxelas

Apesar das tensões comerciais, a China sinalizou disposição para reaproximação com os EUA. Na quinta-feira (26), o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, disse ao representante comercial americano, Jamieson Greer, à margem de uma reunião da Organização Mundial do Comércio em Camarões, que a China “está disposta a fortalecer a cooperação econômica e comercial” com os Estados Unidos, segundo a Reuters.

Na frente europeia, China e União Europeia avançaram em passos preliminares para resolver a disputa sobre veículos elétricos, com reguladores europeus propondo preços mínimos de importação como alternativa a tarifas de até 35,5%. Paralelamente, o Parlamento Europeu retomou o diálogo direto com Pequim após oito anos de pausa, enviando uma delegação para discutir comércio digital e padrões de produtos. A UE também firmou acordos com Índia, Mercosul e Austrália em 2026, numa tentativa de diversificar suas relações comerciais.

Novo cenário geopolítico

O reposicionamento chinês ocorre enquanto o governo Trump busca novas bases jurídicas para impor tarifas, após a Suprema Corte americana derrubar parte das medidas adotadas em 2025. Em março, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA abriu investigações contra China, UE, Japão, Índia e Coreia do Sul com base na Seção 301. Para analistas, a combinação de protecionismo americano e expansão chinesa está redesenhando o mapa do comércio global. “O eixo do comércio exterior brasileiro hoje tende a ir cada vez mais para a Ásia”, avaliou Tulio Cariello, do Conselho Empresarial Brasil-China, à InfoMoney.

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