A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou na quarta-feira (8 de abril) que o Banco de Brasília (BRB) “não irá quebrar” e que uma solução definitiva para a crise da instituição será apresentada em até 30 dias. A declaração foi feita após reunião em São Paulo com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar da situação financeira do banco estatal.
Segundo a governadora, a nova gestão do BRB elaborou um plano técnico que foi apresentado ao BC durante o encontro. “Em 30 dias nós damos uma solução definitiva para o banco”, disse Celina Leão. O encontro ocorreu em meio à pressão do regulador para que o BRB regularize sua situação, reforce o capital e apresente os balanços atrasados — a instituição não divulgou o balanço consolidado de 2025 dentro do prazo legal e trabalha com a data de 29 de maio para regularizá-lo.
Demissões e auditoria
Ainda nesta semana, Celina Leão determinou a demissão de 12 gestores ligados à administração anterior do BRB, incluindo diretores e superintendentes vinculados à gestão do ex-presidente Paulo Henrique Costa, investigado na Operação Compliance Zero da Polícia Federal. As demissões se somam a afastamentos anteriores: no início de abril, o banco já havia afastado dirigentes com base em relatório da auditoria conduzida pelo escritório Machado Meyer Advogados e pela consultoria Kroll, que apontou que 30 dirigentes deveriam ser responsabilizados pela compra de carteiras fraudulentas do Banco Master.
Na noite de segunda-feira (7 de abril), o BRB informou ao mercado que concluiu a investigação independente relacionada à Operação Compliance Zero e encaminhou o relatório final à Polícia Federal. A auditoria já havia identificado indícios de irregularidades na aquisição de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro real do Banco Master, liquidado pelo BC em novembro de 2025.
Busca por capital e apoio federal
O BRB estima que terá de provisionar mais de R$ 6 bilhões para cobrir possíveis perdas decorrentes das operações com o Master. A agência Moody’s alertou que a instituição estaria “perto de default” sem a concretização de um aporte de capital.
Para tentar reequilibrar as contas, o governo do DF busca alternativas que incluem um empréstimo de R$ 4 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos e a venda de carteiras de crédito originadas pelo próprio BRB para instituições como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, sinalizou que o governo federal não pretende intervir diretamente nem federalizar o banco, mas abriu caminho para que bancos públicos atuem como compradores de ativos. Na quarta-feira, a governadora resumiu a postura esperada do governo federal: “Se não atrapalhar, já ajuda muito”.
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