Ata do Copom não sinaliza próximos passos da Selic.

O Banco Central reafirmou nesta terça-feira (24) que a magnitude e a duração do ciclo de cortes da taxa básica de juros serão determinadas “ao longo do tempo”, à medida que novas informações sejam incorporadas às análises do Comitê de Política Monetária (Copom). A ata da 277ª reunião, que reduziu a Selic de 15% para 14,75% ao ano na semana passada, não trouxe indicações sobre os próximos movimentos da política monetária.
“Mantido o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante para a política monetária, o Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo”, diz o documento.
Guerra no Oriente Médio no centro das preocupações
O Copom destacou que o cenário global se tornou mais incerto com o acirramento dos conflitos entre Estados Unidos, Israel e Irã, elevando a volatilidade nos preços de ativos e commodities. De acordo com a Exame, o comitê citou a guerra como o principal fator que exige prudência adicional por parte de países emergentes. O colegiado reforçou que os passos futuros poderão incorporar informações “que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”.
O corte de 0,25 ponto percentual, o primeiro desde maio de 2024, foi considerado conservador por analistas. Antes da escalada do conflito no Oriente Médio, a expectativa predominante era de uma redução de 0,50 ponto. Segundo Alberto Ramos, economista-chefe de América Latina no Goldman Sachs, o corte só ocorreu porque já havia sido sinalizado na reunião de janeiro — caso contrário, a manutenção dos juros em 15% seria a escolha evidente.
Inflação acima da meta e cenário fiscal
As projeções do Copom apontam para alta de 3,9% do IPCA em 2026 e de 3,3% no terceiro trimestre de 2027 — ambas acima do centro da meta de 3%. Após a decisão e a manutenção da guerra, os analistas consultados pelo Boletim Focus passaram a prever a Selic em 12,50% no fim deste ano, ante expectativa anterior de 12%.
A ata também chamou atenção para o papel da política fiscal, alertando que incertezas sobre a trajetória da dívida pública e sinais de enfraquecimento do ajuste fiscal podem elevar a taxa de juros neutra da economia. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 28 e 29 de abril.
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