Petrobras descarta novo aumento do diesel no curto prazo.

A Petrobras não planeja, no curtíssimo prazo, um novo reajuste no preço do diesel, apesar da persistência do conflito no Oriente Médio e da forte pressão sobre o barril de petróleo. A informação foi revelada pela Reuters, com base em três fontes da companhia com conhecimento das discussões internas.
“Não tem nada no radar para os próximos dias”, disse uma das fontes à Reuters. “A gente está sempre monitorando, mas não tem que ser toma lá, dá cá. A empresa vai sempre defender os interesses dos acionistas sem penalizar o consumidor”, acrescentou outra.
Reajuste recente e defasagem persistente
No dia 14 de março, a estatal havia elevado o preço do diesel em 11,6%, equivalente a R$ 0,38 por litro, levando o valor médio do diesel A vendido a distribuidoras para R$ 3,65 por litro. O reajuste veio acompanhado de medidas do governo federal para amortecer o impacto ao consumidor, incluindo a zeragem das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel e um programa de subvenção de R$ 0,32 por litro.
Mesmo após o aumento, a defasagem em relação aos preços internacionais permanece elevada. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o diesel doméstico segue cerca de 60% abaixo da paridade de importação. Antes de o petróleo recuar mais de 10% nesta segunda-feira, após declarações de Donald Trump sobre o adiamento de uma possível ação militar contra o Irã, importadores apontavam defasagem superior a 80%.
Risco no abastecimento
A situação preocupa agentes do setor. A ANP classificou o cenário como de “situação excepcional de risco” para o abastecimento nacional, citando a retração das importações de diesel — que caíram cerca de 60% nos primeiros 17 dias de março em relação ao mesmo período de 2025 — além da demanda interna aquecida e da dificuldade de recomposição de estoques. A agência chegou a notificar a Petrobras para que realizasse leilões de diesel e gasolina que haviam sido cancelados.
Importadores e distribuidoras pressionam a estatal por um novo reajuste, argumentando que a defasagem inviabiliza importações, responsáveis por cerca de 25% do consumo nacional de diesel. A Petrobras, por sua vez, afirma que suas refinarias operam com capacidade máxima e que a política de preços da companhia não obriga a internalização imediata de altas ou baixas em momentos de choque de oferta.
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