Ibovespa sobe com início da reunião de dois dias do Copom.

O Ibovespa do Brasil subiu acima de 181.000 durante a sessão de terça-feira, atingindo uma máxima intradiária próxima de 182.800 enquanto investidores se posicionavam antes da decisão sobre a taxa de juros do banco central, embora o índice tenha devolvido parte desses ganhos até o fechamento. A alta marcou uma recuperação de um período difícil que viu o índice de referência perder mais de 5% na semana anterior em meio à turbulência geopolítica ligada ao conflito no Irã e aos preços do petróleo em disparada.
Expectativas de Corte de Juros Impulsionam o Sentimento
O Copom, comitê de política monetária do Brasil, iniciou sua reunião de dois dias na terça-feira, com a decisão sobre a taxa esperada para quarta-feira após o fechamento das negociações na bolsa B3. Os mercados precificaram de forma massiva um corte de 25 pontos-base que levaria a taxa Selic de referência de 15% para 14,75%, o que seria a primeira redução em nove meses.
O banco central sinalizou em janeiro que iniciaria um ciclo de flexibilização em março após manter a Selic em 15% — o nível mais alto desde 2006 — por cinco reuniões consecutivas. Na ata de fevereiro, os formuladores de política monetária afirmaram que a melhora nos dados de inflação e as expectativas se aproximando da meta de 3% lhes davam respaldo para começar a cortar, embora tenham enfatizado a necessidade de manter a política restritiva.
Preocupações com a Inflação Geram Incertezas nas Perspectivas
A Pesquisa Focus de segunda-feira, enquete semanal do banco central com economistas, adicionou uma camada de tensão ao cenário. Analistas elevaram suas projeções de inflação para o final de 2026 para 4,10%, ante 3,91%, e aumentaram a estimativa para a taxa Selic final para 12,25%, ante 12,13%, segundo a Bloomberg. A mudança para uma postura mais contracionista efetivamente eliminou quaisquer apostas remanescentes em um corte inicial maior de 50 pontos-base, que alguns economistas favoreciam antes de os preços do petróleo ultrapassarem US$ 100 o barril no início de março.
O Secretário do Tesouro do Brasil, Rogério Ceron, disse à Reuters no início deste mês que, embora os planos de curto prazo do banco central permaneçam intactos, o conflito no Irã poderia encurtar o ciclo geral de afrouxamento monetário se os preços elevados do petróleo continuarem a impactar a inflação. A inflação acumulada em doze meses ficou em 3,81% em fevereiro, ainda abaixo do teto superior de 4,5% da meta do banco central, mas leituras acima do consenso têm mantido os mercados em alerta.
Contexto Geopolítico
Os ganhos da sessão ocorreram em meio a um cenário global volátil. O petróleo Brent se manteve acima de US$ 100 após semanas de interrupção no transporte marítimo pelo Estreito de Hormuz, e o S&P 500 caiu para uma nova mínima de 2026 na semana passada. A Petrobras tem servido como um hedge parcial para o Ibovespa durante o choque do petróleo, embora o mercado mais amplo tenha enfrentado dificuldades com as forças concorrentes de alívio nas taxas domésticas e pressões externas nos preços. A nota do Copom de quarta-feira — particularmente sua orientação futura sobre o ritmo e a duração dos futuros cortes — será acompanhada de perto em busca de sinais sobre se o ciclo de afrouxamento monetário pode resistir aos ventos contrários geopolíticos.
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